28 dezembro, 2006

retorno da luz

O Sol renasce lentamente depois da noite mais longa.
É tempo de renascer com ele.
É isso o Natal - a festa que celebra o retorno da criança-luz-sol em nós e através de nós.
Se eu souber... se eu for capaz, essa é a prenda mais honesta
e genuína que desejo oferecer a mim e aos outros.

Feliz ano novo!

04 dezembro, 2006

cúmulo da noite


No cúmulo da noite
Morre antes que morras.

Ela que leve os tais restos mortais.
(Só os restos são mortais)
Permaneça então o imortal Ser.


Não chores ainda.
O choro é próprio no acto do nascimento.

Rendição ou morte?
Ambas!

26 outubro, 2006

neologismo


Verbo: outonar
Tempo: presente


Eu outono
Tu outonas
Ela outona
Nós outonamos
Vós outonais
Elas outanam

Certas árvores recolhem a seiva no Outono,
sorvem de si o essencial e deixam ir o que caducou.
Ficam mais quietas e caladas,
metidas consigo, no interior do tronco e dos ramos.
Certas árvores sacodem dos ombros
os pesos mortos e agradecem ao vento e tempestades
a gentileza de lhes levar o que já não serve.
Ficam mais leves e mais limpas,
para renascer quando for tempo.

Certas árvores preservam a vida assim,
morrendo.

29 setembro, 2006

auto-gerada



Tudo o que é faz-se a si mesmo.
O Universo auto-gerou-se, uma borboleta criou-se a si própria e eu repliquei-me, formei-me e gestei-me no útero da minha mãe-fonte que alimentou a minha intenção de nascer. Cresci... tornei-me eu mesma , maior. Eu fiz-me a mim própria. Para isso não foi preciso nenhum esforço suplementar ou um investimento acrescido de energia. Curiosamente, e paradoxalmente, o ser humano esforça-se tanto para "ser alguém na vida" - Não é já?!... Não é sempre alguém?!

O processo da auto-geração é uma manifestação espontânea da Natureza intrínseca daquilo que é. Posso não saber resolver uma equação matemática, desconhecer as leis da física ou o que são células estaminais, mas soube aplicar tudo isso na feitura de mim mesma... soube criar-me a mim mesma, tal como todos nós sabemos.

A ciência pode explicar como ocorre o fenómeno, mas a ocorrência em si mesma é ultrapassada pelo próprio processo - a ciência não faz o fenómeno. Cada borboleta, cada árvore, cada gota de água ou partícula do Universo é uma manifestação daquilo que soube criar-se a si próprio, único e irrepetível.

Todos e cada um de nós é uma manifestação da sabedoria da Vida. Todos e cada um de nós é um fenómeno extraodinário, tão fantástico e mágico como o próprio Universo. Todos e cada um nós é um milagre.

Tocar Deus é ser Deus.

17 setembro, 2006

Deepak Chopra em Portugal


Deepak Chopra vai estar, no dia 19 de Setembro, no Auditório da Faculdade de Medicina Dentária, em Lisboa.

Tema: Realização espontânea do desejo

Entrevista aqui

27 agosto, 2006

janela dos meus milagres



de ADORMERCER AO LADO DA PRIMAVERA

Adormecer num colchão de molas do lado da primavera e acordar do lado do verão


Atirar-se da janela de um quinquagésimo andar e aterrar intacto na folha de um nenúfar


Derrotar todos os exércitos do nascente e sucumbir ao ser atacado pelas costas por uma folha de outono


Descobrir uma caravela naufragada há quinhentos anos no fundo dos teus olhos
e conseguir trazer para a superfície duas estátuas de Buda, além de uma tonelada de pimenta e outra de cravo

Jorge de Sousa Braga, in Balas de Pólen

Feliz aniversário querido JP

16 agosto, 2006

zero



"Estou convencido das minhas próprias limitações...
e esta convicção é minha força."
Mahatma Gandhi



Há dias assim. Há momentos assim,
definitivamente-completamente-absolutamente assim.
Não são bons nem maus. São assim.

Ocorre um "reset"... naturalmente dou-me conta de que o recipiente está vazio...
esgotou-se qualquer coisa, como um combustível que permitiu a marcha durante uma determinada etapa da viagem, mas que, entretanto, acabou. E então, só uma coisa é certa: não sei nada, nada.
Resta-me (outra vez) aprender... aprender... aprender...



Um abraço a todos quantos me vêm visitar apesar desta intermitência.
Dia muito feliz a todos.

03 julho, 2006

da seiva



Desenhei o meu nome sobre a folha
com o soro-seiva da árvore sagrada.

Bordei o meu nome com raios de Sol
e pintei-o com as cores de cada fio de luz.

Desenhei um corpo inteiro,
com raízes, ramos e figos maduros.
Nas nervuras assinalei o curso do tempo
e marquei com o meu cheio
todas as fronteiras que têm de cair.

Aqui, sabe-se, o horizonte é sempre mais adiante.

Desenhei até às bordas da folha
e quando a folha não tinha mais espaço,
desenhei nas mãos, nos braços, no ventre...
E cobri a pele toda com o meu nome-desenho-de-árvore.

Trago o corpo todo estendido
com o meu nome à mostra.

O meu nome parecia ser o último segredo,
mas não é.

21 junho, 2006

religião... re-ligação da luz


Akhenaton, Saudação a Aton


“O Sol, quando nasce, é para todos”.
Nesta expressão redescobri o sentido do amor universal, da filantropia e do altruísmo. O que o Sol dá, dá-nos de borla, por razão nenhuma, a não ser pelo simples facto de ser o Sol - brilhar, iluminar, aquecer e nutrir a Terra e todos os seres. As virtudes do Sol decorrem do exercício e cumprimento da sua natureza. É o que é, logo dá o que tem. Simples!

Celebrar o Sol é ser Sol e aderir às suas faculdades. É gerar luz, claridade, clareza em cada pensamento, palavra e acção. É pôr às claras, esclarecer. É ser honesto, verdadeiro consigo próprio e com os outros. É repelir a escuridão, a mentira.

Ser Sol é ser fonte de vida - energia que cria, transforma e nutre. É amar indiferenciadamente e dar o que se tem. É dar sem pensar no que pode ganhar-se com isso. É fazer o que tem de ser feito e gerar o que tem de ser gerado. É ser-se o que se é, e fazer, criar e partilhar o que somos. E, "quem dá o que tem, a mais não é obrigado".

O Sol ilumina indiferenciadamente. Oferece a sua luz, o seu calor, a sua energia e a sua força, sem olhar a quem. Cada um que aceite, receba ou reconheça essa dádiva, se puder, quiser ou souber.
O Sol não julga, nem deixa de dar, mesmo quando o mundo ignora o seu dom.
O Sol dá porque sim. Não busca aplauso, nem louvores. Cumpre-se. É. Faz. Dá.

Isto sim, é ser verdadeiramente virtuoso. Afinal, o Sol não o faz para ser “bonzinho”; não tem nada a provar, mostrar ou justificar. Cada “planeta” faz o que bem entende com o que recebe, e se não puder ou souber tirar o melhor partido da oferta, o Sol não castiga nem nega a dádiva.

Ser Sol é ser luz, é ser amor, é ser um transformador e um gerador de Vida. É ser Criador, todos os dias. Porquê... para quê? Porque somos filhos do Sol e porque, se quisermos, podemos potenciar essa herança que está nos nossos “genes” e cumprirmos, também nós, a nossa natureza.

O Sol abraça-nos, nutre-nos, aquece-nos e ilumina-nos a todos, todos os dias com a sua energia.
Celebrar o Sol é ser Sol. Esta é a minha religião.

Feliz Solstício – que o Sol brilhe em cada um e através de cada um de vocês, com muita força e alegria!

19 junho, 2006

agir... em vez de reagir



Na minha opinião a filosofia budista é uma lição extraordinária.
O Tibete foi invadido, devastado... saqueado. E continua a ser.
Os tibetanos, sobretudo, os monges têm sido vítimas da brutalidade do regime chinês. Continuam a ser perseguidos, despojados e torturados... A campanha de endoutrinamento chinesa faz vítimas a cada dia que passa... porque a força do Tibete assenta na firmeza dos seus valores... que não são nem o poder nem o dinheiro, mas sim uma ética de responsabilidade individual e universal de compaixão pelo Homem, assumida e praticada.

Contudo, meus amigos, a tudo isto o budismo responde com abertura, aceitação, partilha e amor.
Ao contrário dos palestinianos, que angariaram o medo e ódio do mundo, os tibetanos angariaram amizade, respeito e admiração pela sua cultura e pela sua causa.
Felizmente ou infelizmente, os Homens são também a sua cultura - um produto da sua sabedoria ou ignorância.
Não vou discutir a razão dos povos - todos os povos têm o direito a ser quem são, como são - estou a sublimar a resposta: firme mas sensata e generosa do budismo tibetano.
Mesmo sob o regime chinês, são livres e sorriem.
É uma extraorninária lição de sabedoria, mas sobretudo de Amor!




Para ajudar a causa tibetana e para conhecer melhor um pouco desta sábia cultura, clique aqui ... é uma oportunidade imperdível... que com muita pena vou perder!
Fica para a próxima!

época de exames


Magdalen with the Smoking Flame, Georges de La Tour

Exame de condução
Despreza as estradas largas, segue os carreiros.

Pitágoras

Teste ao Q.I.
Não existe verdadeira inteligência sem bondade.

Ludwig van Beethoven


Exame de metodologia
Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente estará a fazer o impossível.

São Francisco de Assis

Prova de resistência
Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.

Epicuro

Teste à persistência
Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão...

Saint-Exupéry

Exercício de equilíbrio
Não é livre quem não tenha obtido domínio sobre si mesmo.

Demófilo

Teste à atenção
Não há nada mais poderoso do que uma ideia cujo momento chegou.

Victor Hugo

Exercício de humildade
É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe.

Epíteto

Exame de visão
A alegria não está nas coisas: está em nós.


Goethe

Teste à confiança
Penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho no silêncio - e eis que a verdade se revela!


Einstein

Exame de consciência
A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro.

Cícero

12 junho, 2006

tiro o chapéu a estes senhores



A Sociedade Portuguesa para a Educação Humanitária, abreviadamente SPEdH, é uma Organização Não Governamental sem fins lucrativos criado por um grupo de pessoas que se reuniram para pensar o mundo que as rodeia. E agir. Olhando o passado para melhor compreender o presente. E partilhar. Para melhor desenhar o futuro.

Herman Melville disse-nos que «não podemos viver isolados porque as nossas vidas estão ligadas por mil laços invisíveis». Referia-se ele às interacções sociais no seio de um grupo de primatas humanos. Mas não deixa de ser verdade que nós e os outros animais também acabamos por estar ligados por mil laços invisíveis. São ligações sem quaisquer implicações morais. Simplesmente são. Neste capítulo sobre aquilo que os biólogos chamam de interacções simbióticas os mundos diferentes confundem-se. E misturam-se. E todos precisam de todos.
Para que o mundo possa acontecer. Esta é uma ideia-chave do conceito de educação humanitária. O reconhecimento da interdependência de todos os seres vivos. Porque na verdade as coisas funcionam melhor se nos ajudarmos uns aos outros. E os outros já aprenderam a lição há muito tempo. É por isso que chegaram tão longe. Stephen Jay Gould, certamente um dos cientistas mais brilhantes do século XX, disse-nos que «a mensagem principal da revolução darwiniana à espécie mais arrogante da natureza é a unidade entre a evolução humana e a de todos os demais organismos». Mas também disse que «podemos aprender muito sobre nós próprios partindo do facto inegável de que somos animais evoluídos». As nossas vidas dependem de todos. Porque sem todos somos nada. O mundo poderia de facto ter sido ordenado de maneira diferente se não existissem estas interacções simbióticas. Mas não foi. E em grande parte porque vivemos ligados por mil laços invisíveis.

O passo seguinte leva-nos à outra ideia-chave do conceito de educação humanitária: a compreensão da necessidade da compaixão e do respeito do Homem pelos seus semelhantes, pelos outros animais e pelo meio ambiente. Precisamente com base na ideia-chave anterior de que as nossas vidas dependem de todos. Porque sem todos somos nada. É claro que este é um processo complexo que somente um enorme esforço de libertação, humana, poderá fazer tudo isto acontecer. A verdade é que a educação humanitária leva-nos a tornarmo-nos mais humanos. Mas não menos animais.

Cada um de nós pode mudar o mundo partindo do princípio que o mundo começa em si mesmo. E às vezes o impossível torna-se possível e acontece mesmo. E a nossa história colectiva e certamente a nossa história individual está cheia de pequenas transformações entre o impossível e o possível. É certo que os homens e as mulheres deste tempo estão cada vez mais exaustos e tristes e perdidos. E com medo. Mas a SPEdH acredita que no meio deste atoleiro de vaidades e perdições, em que não existe critério nem rumo, nem tão pouco qualidade de vida, acredita mesmo que ainda é possível mudar. E àqueles que nos disserem que não podemos acreditar em coisas impossíveis, responderemos da mesma forma que a Rainha respondeu à Alice: «Suponho que tens falta de treino. Aconteceu-me algumas vezes acreditar em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço.»

isto e muito mais aqui

01 junho, 2006

meninos e meninas



Se eu mandasse, hoje todos os adultos teriam de voltar ao infantário, à escola, ao pátio da minha rua, ao parque da minha cidade.
Hoje, todos viriam aprender connosco a brincar outra vez.
Hoje nós seríamos professores e vocês os alunos!

E, por um dia, reaprenderiam a rir só porque apetece...
e voltarim jogar à apanhada, à bola, às escondidas...

A cantar, dançar... e a dizer o que pensam, como nós dizemos!
Hoje, poderiam chorar e até fazer uma birra!
Hoje poderiam chorar de cansaço, sono ou aborrecimento, sem vergonha ou justificações... hoje estariam dispensados de "aguentar", negar ou fingir as vossas tristezas, medos e frustrações!

Hoje poderiam brincar ao faz-de-conta e acreditar nos vossos sonhos de voar!
Hoje poderiam comer uma gelado e sujar a roupa...
Hoje poderiam ser a criança que são!
Hoje eu gostava muito que te lembrasses da criança que há em ti e a deixasses ser livre!




Quem salva uma criança, salva o mundo inteiro

Há 860 milhões de crianças sem infância

Dá a ti e a nós o direito de ser criança

apanha-me também um poeta



Criança!
Apanha-me uma flor!
... uma borboleta!

E já agora apanha-me também um poeta!




“Apanha-me também um poeta!” é o nome de uma exposição linda, linda, linda!
Esculturas em papel de Bernard Jeunet, para ilustrar livros infantis!

Bernard Jeunet não pinta nem desenha as suas ilustrações. As suas personagens são esculpidas em papel, a pose ensaiada sobre cenários, a composição ajustada com rigor, os elementos decorativos dispostos meticulosamente. Todo o mobiliário, todos os objectos, da minúscula caixa de lápis ao minúsculo caderno, a luz e as sombras, os reflexos da luz na água. Tudo é papel!
Lindo!

O título da exposição, extraído de um poema de um dos seus livros, serviu de inspiração para 9 poemas inéditos, escritos por 9 poetas portugueses “apanhados “ para o efeito (Matilde Rosa Araújo, Luísa Ducla Soares, José Fanha, José Jorge Letria, Maria Alberta Menéres, Emílio Remelhe, António Torrado, Alice Vieira e Vergílio Alberto Vieira).

A mostra conta com as ilustrações originais de quatro dos seus livros, bem como exemplos de um percurso artístico mais pessoal, num total de mais de 100 imagens.

A mostra estará patente ao público até ao dia 31 de Julho. A entrada é livre.
Auditório Municipal Augusto Cabrita Parque da Cidade Barreiro
Informações: 212141319 / 212147410
ilustrarte-sofia@mail.telepac.pt
www.ilustrarte.web.pt


A exposição, para crianças de todas as idades, é um passeio lindíssimo!
Os meus filhos adoraram! Prova: assim que chegaram a casa dedicaram-se ao recorte e criação de "peças" de papel!

Já ganhei um chapéu-de -chuva e uma escada!

26 maio, 2006

o convite


Não me importa o que você faz para sobreviver. Quero saber qual a sua dor e se você tem coragem de encontrar o que o seu coração anseia.

Não me importa saber sua idade. Quero saber se você se arriscaria parecer com um louco por amor, pelos seus sonhos, pela aventura de estar vivo.

Não me importa saber quais planetas estão quadrando sua lua. Quero saber se você tocou o âmago de sua tristeza, se as traições da vida lhe ensinaram, ou se omitiu por medo de sofrer.

Quero saber se você consegue sentar-se com as dores, minhas ou suas, sem se mexer para escondê-las, diluí-las ou fixá-las.

Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se pode dançar com selvajaria e deixar o êxtase preenchê-lo até o limite sem lembrar de suas limitações de ser humano.

Não me importa se a estória que você me conta é verdadeira.

Quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro para si mesmo, se pode suportar a acusação da traição e não trair sua própria alma.

Quero saber se você pode ser fiel e consequentemente fidedigno.

Quero saber se você pode enxergar a beleza mesmo que não sejam bonitos todos os dias, e se pode perceber na sua vida a presença de Deus.

Quero saber se você pode viver com as falhas, suas e minhas, e ainda estar de pé na beira do lago e gritar para o prateado da lua cheia.... "Sim"!

Não me importa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.

Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de pesar e desespero, exausto, e fazer o que tem de fazer para as crianças.

Não me importa saber quem você é, ou como veio parar aqui. Quero saber se você estará ao meu lado no centro do fogo sem recuar.

Não me importa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que sustenta o seu interior quando todo o resto desaba.

Quero saber se você pode estar só consigo mesmo e se verdadeiramente gosta da companhia que carrega em seus momentos vazios.

Feliz caminhada a todos...

Desejo que encontrem a coragem e sabedoria para serem verdadeiros consigo mesmos.
Obrigado por permitir-me partilhar um presente...

Oriah Mountain Dreamer (Um Ancião Nativo Americano)


Bom fim-de-semana

24 maio, 2006

contas ao caminho



Nas terras por onde andei

Nas terras por onde andei
Vi salgueiros inclinados sobre os lagos.
Quando choravam a água subia,
quando bebiam a água baixava.
Os salgueiros podem fazer tudo isso
Pois têm raízes profundas

Nas terras por onde andei
Inclinei-me para a água,
para o abismo e para as estrelas
com raízes bem agarradas à terra.

autor: chucho, o homem do farol






na noite dos dias,
há um farol chamado coração
que guia loucos e aventureiros

23 maio, 2006

morte anunciada

Achei-me no túmulo,

Sobre a Pedra.

Olhei-me,

Defunta de mim própria, sorri, tão grata.

Aprendi a amar a Morte.

Nekhbet

"Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá sozinho; mas, se morrer, dará muitos frutos"

João: 12,2

19 maio, 2006

curso natural


foto daqui

O GUARDA-RIOS

É tão difícil guardar um rio
quando ele corre
dentro de nós

in Balas de Pólen, Jorge de Sousa Braga, edições quasi

18 maio, 2006

limpeza



Certas emoções quando sobem, saem como vómitos.
Em qualquer dos casos, bem vistas as coisas, por mais desagradável que seja
trata-se do reconhecimento daquilo que estava podre ou era indegesto e, se expelido,
promove a limpeza interior e a recuperação do equilíbrio e bem-estar.

Há apenas que ter o cuidado de não vomitar em cima de ninguém o veneno que abrigámos cá dentro!


Como me disse uma vez uma sábia, a verdade não tem de justificar nada, apenas esclarecer.

A água limpa e a verdade clarifica. Claro como água!

17 maio, 2006

problemas de visão


Segundo um estudo sociológico recente, encomendado pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, metade do Portugueses vê mal!

“55,8% dos inquiridos têm problemas de visão, sendo que 43,6% têm Miopia [dificuldades em ver ao longe], 24,2% sofrem de Hipermetropia [dificuldades em ver ao perto] e 18,7% Astigmatismo [visão desfocada].”



Desconfio que ... é a visão em geral e em particular...


Conversa entre sr. Patrão e sr. Empregado

Sr. Patrão – Pois é sr. Empregado... isto não está nada bem. Este ano não vamos poder dar aumentos a ninguém.

Sr. Empregado - ...

Sr. Patrão – A situação da empresa não está boa. Além de não termos tido lucro, ainda tivemos prejuízo... a empresa está a atravessar uma grave crise...

Sr. Empregado
- ...

Sr. Patrão – A economia nacional está no estado em que está e isso reflecte-se nas empresas...
Gostava muito de comunicar-lhe um aumento, mas infelizmente este ano já não vai ser possível... quem sabe no próximo ano...

Sr. Empregado - ...

Sr. Patrão – Temos de continuar a semear! O sr. Empregado é um funcionário que tem dado provas do seu valor, e um dia, quando ultrapassarmos esta crise, irá com certeza colher os frutos do seu empenho...

Sr. Empregado - ...

Sr. Patrão – Felizmente estamos a conseguir evitar fazer cortes no pessoal... e, olhe... apesar de estas não serem as melhores notícias, a verdade é que é uma grande sorte não ter de estar aqui a tratar do seu despedimento... Nesta altura, tendo em conta o estado do país e da empresa, é muito bom poder dar-lhe esta notícia: não vou dar-lhe um aumento, mas também não vou despedi-lo...

Sr. Empregado – Sim, sr. Patrão... eu sei que tenho imensa sorte em ter este emprego!

Sr. Patrão – Estamos a passar por uma crise terrível! Terrível!

Sr. Empregado – Pois...

Sr. Patrão – Mas estou confiante que com o empenho de todos, e sobretudo com o seu, este mau momento será ultrapassado!

Sr. Empregado - ...

Sr. Patrão – Conto consigo para nos ajudar! Conto com o seu entusiasmo e motivação. Tenho a certeza que, juntos, daremos a volta a isto!

Sr. Empregado - ...

Sr. Patrão – Vamos lá trabalhar com garra, certo?!

Sr. Empregado – Sim sr. Patrão!


Entretanto, em outro gabinete, numa outra empresa...

Sr. Empregado
– Pois é sr. Patrão isto não está nada bem. Este ano não vou poder trabalhar como até aqui... vou ter de abrandar...

Sr. Patrão – Como?

Sr. Empregado – A minha situação piorou. Além de não ganhar mais, tenho ainda mais despesas... A minha vida está a atravessar uma grave crise... e estou a ficar cada vez mais endividado...

Sr. Patrão – ...

Sr. Empregado – O país está a passar por uma grave crise e o mesmo acontece na minha vida e na minha família...

Sr. Patrão – Estarei a ouvir bem? o Sr. Enlouqueceu?

Sr. Empregado – Hoje, o que ganho chega para poder vir trabalhar... os meus filhos passam 12 horas num colégio e pago mais de metade do meu ordenado só par poder comparecer ao serviço... A minha mulher está doente... úlcera nervosa – baixas, médicos, medicamentos estão a dar cabo do nosso orçamento que já estava a derrapar... os meus filhos estão rebeldes, exigentes e insuportáveis... a minha vida está a passar por uma crise terrível. Terrível!

Sr. Patrão – ...

Sr. Empregado – Estou muito cansado... não tenho ânimo para nada!
Os meus filhos precisam de mim e falta-me paciência para tudo: falar, ajudá-los nos estudos, brincar então nem se fala...

Sr. Patrão - ...

Sr. Empregado – A minha mulher está tão mal... deixou de rir... deu cabo dos nervos e do estômago no trabalho... a vida está muito difícil e vale tudo para agarrar um emprego... o stresse deu cabo dela... está um frangalho... eu não tenho tido muita paciência também, confesso...

Sr. Patrão - ...

Sr. Empregado – Mas estou confiante que isto vai melhorar. Conto com o seu empenho para ultrapassar esta crise. Peço-lhe que encare isto como um investimento... é preciso semear para colher depois e, garanto-lhe, um dia há-de colher os frutos do seu empenho...

Sr. Patrão
– Grrrrrrrrrrrrrr

Sr. Empregado – Eu poderia estar a dizer-lhe que já não posso contar mais consigo... mas não! O sr. já revelou que é um patrão válido! Tenho a certeza que vai dar-me um aumento, reduzir a pressão no trabalho e juntos vamos ultrapassar esta crise!

Sr. Patrão – Grrrrrrrrrrrrrrrr

Sr. Empregado – O seu empenho é fundamental! Em coisa de um ano ou dois eu já estarei com a minha vida equilibrada e nessa altura vou trabalhar com muita alegria e entusiasmo! Verá que, juntos, daremos a volta a isto!