08 Junho, 2009

Home










"We are living in exceptional times. Scientists tell us that we have 10 years to change the way we live, avert the depletion of natural resources and the catastrophic evolution of the Earth's climate.
The stakes are high for us and our children. Everyone should take part in the effort, and HOME has been conceived to take a message of mobilization out to every human being.
For this purpose, HOME needs to be free. A patron, the PPR Group, made this possible. EuropaCorp, the distributor, also pledged not to make any profit because Home is a non-profit film.HOME has been made for you : share it! And act for the planet."
Yann Arthus-Bertrand

Para ver e rever a nossa Casa aqui

04 Junho, 2009

montinho de terra



Quando era pequenina
Sentia, com toda certeza, que haveria de sobreviver as todas as catástrofes.
Era uma certeza que vinha do fundo da vida, como um eco,
Porque aconteceu-me morrer antes do meu tempo.
Mas desta vez estava decidido:
Eu haveria de sobreviver.
E isso faria de mim uma grande montanha.

Hoje sou um montinho de terra.
Onde gostaria de ver crescer uma árvore
Daquelas que seguram os ninhos dos pássaros,
dão flores e frutos e dormem durante o Inverno.

19 Outubro, 2008

Até sempre



Obrigada

08 Outubro, 2008

Eu outono



tu outonas

ela outona

nós outonamos

vós outonais

elas outonam... outra vez.

É tempo de recolhimento.

02 Setembro, 2008

das férias...








Imagens do Boom Festival 2008

"As verdades polifónicas exaltam, como me poderão compreender aqueles que, como eu, asfixiam no pensamento fechado, na ciência fechada, nas verdades limitadas, amputadas, arrogantes. É saudável uma pessoa arrancar-se para sempre à palavra mestra que explica tudo, à litania que pretende resolver tudo. Por fim, é saudável considerar o mundo, a vida, o homem, o conhecimento, a acção, como sistemas abertos. A abertura, a brecha sobre o insondável e o nada, ferida original do nosso espírito e da nossa vida, também é a boca sequiosa e esfomeada pela qual o nosso espírito e a nossa vida desejam, respiram, comem, beijam".
Edgar Morin, O Paradigma Perdido: A Natureza Humana

31 Julho, 2008

És o que lês



Recebi um e-mail de protesto contra Guillermo Habacuc Vargas, o polémico artista da Bienal Centroamericana de Arte 2007, autor da Exposición N° 1, em que, alegadamente, o artista terá mantido preso e sem alimentação um cão vadio apanhado nas ruas de Manágua, capital da Nicarágua. Na altura, chegou a dizer-se que o animal teria morrido à fome.

Alguns minutos depois de encaminhar a mensagem, na qual se pedia para assinar uma petição de protesto contra a participação do artista na Bienal Centroamericana Hondura 2008, nas Honduras, recebi uma resposta.

Dizia: "Lê isto".

18 Julho, 2008

Biologia do Amor



Aprendemos que nos distinguimos de outras espécies animais pelo uso da linguagem, pelo atributo da razão, pela condição imaginal de projecção e transcendência, pelo trabalho, pela acumulação e transferência de cultura, pela elaboração de regras sociais, pela construção da história, pela produção do conhecimento. Mas certamente escutamos muito pouco ou nada a respeito da dimensão onírica da condição humana. É possível que nunca nos tenham dito com todas as palavras, nem na escola, nem na nossa família, nem na universidade, que a espécie humana é a única que sonha acordada. Que, durante a vigília se projecta pelo sonho, cria fantasmas que nos consome, personas que ao mesmo tempo, nos escondem e nos desvelam. Desde criança aprendemos que a vida em sociedade é marcada pela regra e que a regra é gestada pela razão. Que a razão é um mecanismo ou uma qualidade do pensamento capaz de domesticar e impor limites às emoções humanas que seriam responsáveis pelo desregramento, pela desordem e pela selvageria social. Certamente o aprendizado dessas verdades foi matizado e não homogéneo. Os artistas, os poetas, e mesmo na ciência, os pensadores não enclausurados nos paradigmas da repetição e da ordem, experimentaram outras verdades. (...)

Humberto Maturana: a biologia do amor
Há em cada um de nós uma biologia do amor que pede para ser accionada, que deseja uma condição favorável para emergir e expressar-se. Render-se ou não render-se à biologia do amor, pode ser um desafio importante para a condição humana. (...) “Existem duas emoções pré-verbais” diz Maturana: “a rejeição e o amor”. A rejeição opera uma cognição pautada pela separação, pela negação e pela exclusão do outro em relação ao observador. Quanto ao amor, este “constitui o espaço de condutas que aceitam o outro, como um legítimo outro na convivência” (1998). Rejeição e amor não são entretanto opostos entre si, porque a ausência de um não leva ao outro, sendo mais apropriado dizer que ambos têm como oposição, a indiferença. Para Maturana é no plano das consequências do agenciamento do amor ou da rejeição, que se configuram caminhos cognitivos divergentes. A rejeição nega a convivência; o amor a constitui. Quanto à indiferença, esta não agencia conhecimento, não provê valores, não posiciona o sujeito, não opera acção pelo linguajar, não é oposição nem adesão. É mais propriamente um estado de inércia, desprovido de aptidão e vontade para colocar-se frente a qualquer coisa. Um estado de apatia e torpor. A rejeição e o amor são, ao contrário, operantes, agenciamentos da cognição, estados cognitivos dinâmicos, em acção. O primeiro (rejeição) opera pela recusa prévia frente a um fenómeno, a um valor, a uma circunstância. Poderíamos chamar a isso de um estado cognitivo covarde, medroso, frágil. (...)

Para Maturana operar na emoção pela via do amor é constituir o propriamente humano na convivência. Isso porque o “amor não é um fenómeno biológico eventual nem especial, é um fenómeno biológico quotidiano” (op. cit.). Ele é tão básico que torna-se necessária uma verdadeira maquinação cultural para contê-lo. Por isso, a consciência da guerra e a incitação a ver no outro um inimigo a ser destruído, são frutos da internalização de uma visão de mundo que só se mantém pela vigilância e pela obediência. Se não houver vigilância para criar, cultivar e manter a ideia do inimigo, a biologia do amor emerge e desconstroi-se a imagem de inimigo. Fazendo alusão à Primeira Guerra Mundial, Maturana diz que era esse o problema das trincheiras. “Era preciso proibir o encontro dos inimigos fora da luta”, porque se os alemães, ingleses e franceses conversassem entre si nesses períodos, “acabava-se a guerra”. Daí a necessidade de manter uma dinâmica permanente de desclassificação do outro como uma forma de conter a compulsão natural para a aceitação, o convivial, o afectual. (...)
Maria da Conceição de Almeida, Biologia social das Emoções

Saber Amar
(...) Se o inferno são os outros, a felicidade também o é. Se não existe inferno sem os outros, também não há felicidade sem eles. Amar é algo que já se nasce sabendo. Em geral, os pais tentam educar as crianças para aperfeiçoá-las nesse saber. Procuram criar um ambiente onde elas tenham oportunidades de desenvolver aquilo para o qual nasceram, isto é, respeitar os outros e o mundo natural.
Mas sabemos que ao crescer elas se vêem obrigadas a enfrentar uma cultura que é o oposto de tudo isso. Têm de desaprender a amar, e disso se encarregam a racionalização, as ideologias e o conformismo, cuja estratégia é transformar o amor em um produto raro, difícil de obter e, por isso mesmo, muito valorizado no "mercado". (...)
Humberto Mariotti, Os Cinco Saberes do Pensamento Complexo



***

A essência do ser humano está no coração; isto é o que muitos pensadores como Michel Maffesoli, Daniel Goleman, Adela Cortina e eu mesmo afirmamos há anos. Reside na inteligência cordial e na razão sensível. Não se trata de abdicar da razão analítica e calculista, mas de completá-la e alargá-la para que nossa capacidade de compreender seja mais ampla e fecunda. Dando centralidade a estas outras formas de exercício da racionalidade, criamos espaço para que emerjam o cuidado, o amor, a compaixão e o respeito, valores sem os quais não salvaremos o sistema da vida ameaçado.
Leonardo Boff, Ensinamentos dos antigos maias para uma civilização em crise