12 abril, 2006

Ostara-Eostre-Easter

Easter, Páscoa em inglês, deriva do nome da Deusa Eostre, ou Ostara.
Eostre, deusa anglo-saxónica da fertilidade, era (e é ainda) celebrada no Equinócio da Primavera com danças e festejos ao ar livre, no campo. Saudava-se assim a chegada da Primavera, época da fertilidade e ressurgimento da vida por excelência depois do longo Inverno.
Os símbolos associados a Eostre são o Ovo, a Lua e o Coelho, seu animal sagrado.



ilustração
O ovo e a lua, bem como o coelho são formas de dizer a fertilidade em analogia e correlação com a Natureza. É um facto que, mesmo nós mamíferos, devemos a nossa concepção à fecundação do ovo (óvulo) e que os ciclos de fertilidade feminina e da Natureza estão intimamente ligados aos ciclos do Sol e da Lua. Assim, os festejos em honra de Eostre são uma forma de dar as boas-vindas ao Sol que, por este época, se sobrepõe à noite, despertando a Natureza para esta fantástica explosão de vida.


A Lua, ovo universal, liga-se ao óvulo feminino e ao ciclo menstrual, bem como à própria evolução fecunda da vida e da Terra, sempre em eterno movimento e alternância cíclica: desde a jovem virgem - a que ainda não foi mãe; passando pela forma adulta - a mãe que concebe e faz nascer, terminando na anciã e sábia, para voltar de novo ao princípio.
A celebração da Páscoa cristã decalcou os festejos dedicados a Eostre e absorveu os seus símbolos: os ovos e amêndoas (a forma oval é por de mais evidente) e os coelhinhos da Páscoa. Sobre os coelhos, a sua simbologia associa-se à fertilidade, e deve-se fortemente ao facto de serem animais que criam as suas generosas ninhadas em tocas (no interior da terra). Ilustra-se assim o renascimento da vida a partir de um estado embrionário, de recolhimento, a qual emerge do subsolo, numa afirmação de vitória sobre a escuridão do Inverno. A própria deusa Eostre, segundo algumas versões que relatam o mito, nasceu de um ovo incubado no solo e que
eclodiu da própria terra, em analogia com a vegetação e animais que, após o período de hibernação, saem para o exterior.

foto


A Páscoa cristã, muito embora coloque o acento tónico na morte e sofrimento de Cristo, apela também à celebração do eterno retorno da vida, do renascimento e ressurreição, a qual supera e vence a morte física. É ainda, e desde sempre, uma festa calculada segundo os ciclos do Sol e da Lua em relação à Terra. O Domingo de Páscoa é sempre o primeiro Domingo depois da Lua Cheia imediatamente a seguir ao Equinócio da Primavera. Extraordinário é (ou não) que, apesar de todos os esforços conduzidos pela Igreja Católica para apagar da memória colectiva esta celebração, a “festa” de Eostre permaneça viva. Tão extraordinário quanto o é a intuição latente que nos liga à Natureza, a qual, nem os tempos nem a tirania dos homens pode apagar. E muito embora a Tradição tenha ressurgido (porque de facto nunca morreu), a verdade é que, nem mesmo àqueles que pouco ou nada sabem de deuses pagãos escapa esta alegria de estar na Primavera!

Entenda-se que o Pensamento dos Antigos, o qual elevava a Natureza a uma ordem divina através da representação mitológica e expressa pelo rito, compreendia uma leitura: tudo na Natureza é sagrado.

Muito a propósito, aqui fica a pertinente recomendação da Greentea

20 comentários:

Jardineira aprendiz disse...

O teu post é tão interessante (como de costume!) que vou voltar para o ler com mais calma. Vinha-te só deixar o link para o post sobre ecoaldeias no http://desenvolvimentoecologico2.blogspot.com/, quando tiver um bocadinho de tempo deixo-te mais links, beijos

sa.ra disse...

Obrigada!!!!
fica aqui então o meu recado, Jardineira, caso eu não diga nda hoje, é mesmo porque me faltou o tempo...

beijokas!
até logo!

greentea disse...

que lindo texto,! Tu leste as Brumas de Avalon?
Estava adar uma espreitadelao ao comment da Jardineira : eu recebo informação das ecoaldeias, por mail se ela estiver interessada; mas isso creio que vem também através do site da infonature.
Beijos para as duas , bom descanso
Viva a Natureza
Vivam os Animais

greentea disse...

um pequeno áparte - eu sou tão burra nisto que não sei como se passa para outro site, como tu fizeste aqui com o meu.
Hás-de explicar-e melhor qd eu voltar.
bjs.

Anónimo disse...

Olá Sa.ra ... estava de "ladinho" nos meus favotritos, assim como todos os que digam respeito a Natureza, Música, Arte ... enfim, o costume no retiro dos 58! Sou a EP que anda por aí, cheia de amigas/os que não conhecia. Não tenho blog para me explicar.Mas se fôr em benefício das aldeias que a Greentea mostra- e o "I have a dream"- eu queria poder "entrar",
gosto tanto daquelas escolas (apesar do antigamente não me agradar) ... e pedras ... O que se pode fazer? EP

Jardineira aprendiz disse...

Não te preocupes Sa.ra, e boa Páscoa, amanhã não posso vir aqui!

Tetracloro disse...

Postei sobre isso aquando do Equinócio da Primavera. Beijinho e bos Páscoa.

Maria Costa disse...

Sa.Ra, é linda a sensibilidade que semeia nos post´s.

Um bom dia feliz.

Beijinho.

sa.ra disse...

Greentea,

boas férias!
bom regresso... uma Páscoa muito feliz!

(do resto falamos depois!)
:)
beijos, beijos!

sa.ra disse...

Oh Tetracloro... não vi!
pois... parece-me que nessa altura não visitava a tua alegre casa!

mas prometo que vou lá dar uma espreitadela... ao Equinócio!

beijos!
um dia feliz!

sa.ra disse...

Maria do Céu,

Agradeço a sua presença com um sorriso, pode ser?

beijinhos
um dia muito feliz!

sa.ra disse...

Olá EP,

Bem-vinda!
por enquanto SONHAMOS...
muito!
tão bom, não é?!

tenho (temos vontade) Vontade... mas falta algumas coisas...

que tal contar o seu sonho?!
quem sabe não podemos sonhar juntas, em equipa!

fico à espera!
se preferir, pode escrever para o e-mail... está lá em cima, junto à "música"... aqui escreve-se nas "folhas", como nas das árvores!
:)

beijinhos
Um dia muito feliz!

Maria Costa disse...

Sa.Ra, à sua pergunta deixada lá no "a direcção do voo", responde claro que é o mesmo...

Obrigada!

Um sorriso, um beijinho e um dia muito feliz.

Maria Costa disse...

Ressalvo: respondo, claro que é o mesmo...

Mem Gimel disse...

Bom dia..

E no aroma deste post, demos graças a Diana.

Bjos

sa.ra disse...

Sem dúvida Mem Gimel!

Saudações à vigorosa força de Diana!
bjos
uma feliz Páscoa!

jorgesteves disse...

Uma perfeita ilustração sobre a festividade da Páscoa. Interessante abordagem ao tema que, naturalmente, propicia (especialmente) o desenvolvimento de muita discussão em torno da apropriação das festividades pagãs pela Igreja, especialmente a Católica (como é o caso presente e, entre outros, do próprio Natal).
Parabéns pelo texto!
jorgesteves

Ruth Iara disse...

Muito instrutivo para mim que hoje ainda estudo a Lingua Inglesa!
Acrescento que por tudo na natureza ser sagrado, o papel que nos cabe é o da reverência. Reverenciar a tudo e a todos, inclusive o nosso próprio santuário é o papel que nos cabe diante da vida e da natureza em todas as suas formas de manifestação, desde o micro ao macrocosmos. Hoje sabemos da importância desta reverência que devemos também prestar a conhecimentos importantes como este que colocas.

Beijos!

Teresa Durães disse...

Tarde (onde já vai a Páscoa) mas só agora entrei neste blog).

Aqui em terra de Lusitanos, terra da Serpente, era costume festejar de igual modo os equinócios e os solstícios.

A Deusa mais conhecida era Ataégina, Deusa da fertilidade, Mãe e infernal, tríplice como todas as deusas costumam ser.

Outras haviam.

O Deus solar mais conhecido era Endovellico, o que levava as almas para o outr mundo, Deus Sol.

Não é necessário importar culturas. Nós, dependendo da região e Portugal onde vivemos, Lusitanos, Béticos (Algarve) ou da Gallecia (Minho), temos a nossa própria tradição que ninguém procura.

Álvaro disse...

Muito curioso, esse texto...
Dan Brown, no seu "Código de Da Vinci" denuncia bem o que a Igreja Católica sempre fez para deturpar a pureza dos ritos ancestrais subjacentes. Só pela sua coragem de trazer tal denúncia ao grande público, o considero, mais que um grnade escritor, um grande Homem.
Re-liguemo-nos, então, com a Natureza, da Primavera!