12 maio, 2006

entrega



Ouvi, pelo ouvido direito, o rumor das águas.
Depois pelo esquerdo.
Soube assim das marés que se agitam.

Evaporei-me.
O caudal encheu os úteros,
onde todas as crianças se fazem a si mesmas.

Deu-se o contágio em todas as coisas.
Estão puros e sagrados,
todas as fontes, lagos, riachos, rios e oceanos.
E correm fora e correm dentro,
Lavam e regam as paredes das veias

e o pano das vestes de luz.

Encaminham-se os peregrinos ao lugar do banho divino.
Que a água os leve ao sítio da desova,
E que chova desse líquido que mata a grande sede.


Ouvi de toda a parte a torrente de apelos.
Não sei de pedidos nem de promessas.

Trago a lua cheia no ventre.


29 comentários:

Jardineira aprendiz disse...

Será que os peregrinos vêem a lua?!

Ontem estive a olhar para ela, e a desejar que chova. Também daquela água que mata a sede das plantinhas!

Jinhos

Liliana disse...

Olá

Ontem, escrevi um poema redondo, como a lua.
Hoje, é outro dia. Em branco, como todos os dias, a ser...

Bom fim de semana

Anónimo disse...

olha tão bonito!!!!
Ontem não via a Lua encoberta pelas nuvens....
tal como às vezes não vejo o caminho enconberto pelas minhas pressas.
Beijos
Isabel

Jardineira aprendiz disse...

A história da tua amiga é muito interessante, vou espreitar! Quando escrevi aquilo estava a pensar noutro tipo de peregrinos, aqueles que têm passado por mim todos os dias, e que eu sei que vão tão cansados e com os pulmões tão cheios de poeira que quase nem têm força para olhar para o céu!

Bjinhos

HatA/mãe disse...

Muito bonito Sa.ra

Sabes como eu gosto de poesia...

"Trago a lua cheia no ventre"
dá para pensar...

Beijos

sa.ra disse...

Olá querida Jardineira aprendiz!

eu também estava a pensar nesses... os mais óbvios, mas também nos outros e em todos nós!

o que acho que somos todos peregrinos... todos trilhamos um caminho... uns caminham para chegar ao destino outros por são eles próprios o caminho...

sejam quais for e conforme sejam, assim atentam nas coordenadas do percurso... uns levam os olhos pregados no chão... outros não tiram os olhos da meta... outros vão a sós consigo e com a sua dor... outros olham para dentro e para fora... e, esses, acredito, (além de olharem) vêem a Lua!

espero que cheguem todos bem! que não haja acidentes ... e que venham de lá felizes!

beijinhos!
:)tem um feliz fim-de-semana!

sa.ra disse...

Querida Noite!!!!

que pena não poder ir ao teu céu e largar lá as nossas mensagens!!!!

:)

sei que sabes que visitas recebes e isso é suficiente por agora, não é???


beijinhos!
tem um fim-de-semana muito feliz!

jorgesteves disse...

Hoje vou olhar a Lua, ver a maré e ouvir o vento. Alguém me há-de dar novas de todas as promessas!
Poema cheio!
jorge

Micaeerton disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Micaeerton disse...

Poema para uma viagem na bruma luminosa do dia seguinte.
Obrigado Sa.ra.

sa.ra disse...

Virá de certeza Jorge!
:)

no dorso do unicónio...

beijinho!
sob o luar
dias felizes e bom fds!

Jardineira aprendiz disse...

Pois, tens razão, eu acho que estava a lembrar a minha experiência e a generalizar de mais! Olha, agora também estou cansada e só tenho metade dos neurónios a funcioar! Mas a minha experiência é o contrário daquilo que tu escreveste na minha caixa, por isso o meu comentário pouco simpático para com os peregrinos!

Beijinhos e bom fim de semana!

sa.ra disse...

micaeerton

meu querido amigo...
um dia inteiro faz a viagem do Tempo todo...

beijo!
dias felizes!

sa.ra disse...

Jardineira...

não notei nada pouco simpático na tua caixinhas sobre os peregrinos... é que não notei mesmo...

precisamos descansar... as duas!
ehehehehhe!
beijinhos!
dias felizes!

greentea disse...

QUE CHOVA ESSA TAL ÁGUA QUE MATA A SEDE E CURA E DÁ VIDA NOVA E TRAZ A LUA CHEIA, ONDE QUER Q ELA POSA ESTAR...

jÁ FUI VER O GATO.

LINDISSIMO. Mas não aceita comments...

e no fim , no fim tem um poema de Jacques Prévert sobre a gaiola e o pássaro - uma maravilha.
Gosto imenso de Jacques Prévert desde há muitos anos e esse mesmo poema mandei-o há tempos a uma AMIGA que estava em baixo.
Dizes-me coisas lindas!

Tem um bom fim de semana, q eu estou quase despachada dos trabalhos

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Não sei escrever, mas sei pensar... No entanto isso não faz de mim, alguém que de fato escreva com primor, pois falta-me palavras para expressar o muito que sinto...

Mas sinto!!! Isso eu sei fazer bem!!! E olhando a tua lua, vestida de ventre, lembrei-me da minha... Lembrei-me também dos meus cavalos alados, que embora não sejam unicórnios, rasgam o vento feito lâminas, em noites de luar...

Então te dou a minha lua... Essa que me embala os sonhos e me visita de quando em quando, nesse meu lado de cá...



Outra lua...


A lua dormiu comigo,
Em minha cama.
Entrou pela minha janela,
Silenciosa...
Mansa.
Me cobriu de prata
Acariciou meu rosto,
Contou-me segredos...
A lua me seduz,
Me completa;
Me deixa iluminada...
E eu sei que a lua é ingrata
Que me engana,
Maltrata!
Some por dias
E se mantém assim...
Ausente
E quando volta,
Me cobre de beijos
Me banha de luz,
De doces momentos...
Eu sei que a lua se aproveita de mim
Dos meus desejos
Mas a lua é meu presente...
Tem gosto de prata, cheiro de noite, em moldes de gente!



Beijinhos para teu final de semana, com meus sinceros agradecimentos por tua visitas ao Lâmina e também ao Trilhas & Terras.

Cris

maat disse...

que te posso dizer? lindíssimo.



bjs, b.f.semana



***maat

Carlos Barros disse...

há um corropio de nadas pelo céu junta-se a todos os inexistentes...que pernoitam em parte alguma...ai procura essa Lua..ao Luar

João Barbosa disse...

bonito! Muito bonito! acho que é o teu texto mais bonito!

125_azul disse...

Lindíssimo. Um fim de semana feliz!

Isabel José António disse...

"Ouvi de toda a aprte a torrente de apelos. Não sei de pedidos nem promessas. Trago a lua cheia no ventre"

É com estas frases que termina o teu post.

Pegando nelas, se não te importares,
aqui deixo esta pequena homenagam:

Ouvi de toda a parte a torrente
De apelos. Não sei de pedidos
Nem promesas. Sigo só a corrente
Rumo a perigos desmedidos

Trago a lua cheia no ventre
Que fecunda toda a Terra
Procuro minhas vias por entre
Caminhos de paz e de guerra

Rasgo meu percurso sem destino
Descubro em cada canto a alvorada
Descubro o que em mim há de menino
E continuo nesta eterna caminhada.

E dou minha mão a quem também vier
Ajudo e sou ajudado na subida
Dessedento na jornada quem se der
No frémito que há em viver a vida

Um bom fim de semana

Parabéns por este teu post. É um grito, um apelo à coragem e à lucidez.

José António

@Memorex disse...

Olá, gosto da simplicidade que escreves sonoramente as palavras palpitadas nos versos.
Bjs

P.S-» Vim aqui atravês do Blogger "os meus sentimentos" e prometo que voltarei com mais assiduidade mas será que poderei linkar-te no meu mundo silencioso?

Carinhosamente Memorex

Su disse...

hoje andei pelo teu cantinho e adorei, comentei, li, reli..ops teria de ter mais tempo....mas voltarei


gostei de ler.te neste teu poema

jocas maradas

ruth iara disse...

É lindo!

Esta música também me lembra o clarão da lua quando estou na praia e posso ver melhor o horizonte.

Beijos!
Uma semana de paz e amor!

Maria Costa disse...

Sa.Ra, é simples o poema fala por si. Lindo!
Obrigada.
Bom inicio de semana.

Beijinhos.

Louie disse...

Ahoy! Ainda bem que têm gostado do nosso blog!
Nós também já sobrevoámos este...

Pois sabem a novidade? Já chegaram os nossos companheiros Travis e Logan, e parecem trazer uma história de encantar... para completar!!!

Ahoy! Venham conhecê-los! Ahoy!

Louie

sa.ra disse...

Bom dia meus amigos!

peço desculpa por este longo silêncio...

por motivos de saúde estive "fora".

estou um bocadinho entupida... mas em breve, espero, vou poder falar com vocês!

beijinhos!
obrigada pelas visitas e comentários!
até já

dia feliz!

Jardineira aprendiz disse...

Humm... acho que estás a precisar de descansar!
Jinhos

raquel disse...

beijos energéticos