09 maio, 2006

Resposta, responsabilidade e natureza humana

Depois de ler os comentários ao post anterior, resolvi responder através de um novo post, o qual visa fazer a ligação e integração das várias posições assumidas pelo comentadores. Diversas e até divergentes, as várias opiniões são, na minha óptica, partes inteiras de um todo, todo esse que será também uma parte inteira de outro todo maior: uma visão verdadeiramente universal.

Liberdade ou anarquia implicam necessariamente responsabilidade. Responsabilidade deriva de resposta, e portanto, é a forma como respondemos que caracteriza e, em última análise, qualifica a nossa intervenção no mundo. Está, por isso, subjacente à nossa responsabilidade a resposta que escolhemos dar em cada momento das nossas vidas.



Não somos como o cão de Pavlov. Aceitar que a nossa resposta é mecânica e insuperável é demitirmo-nos do nosso poder de escolha e, seja ela qual for, somos os únicos responsáveis por ela, mais ninguém. O Direito tabela a nossa margem de intervenção numa esfera de comportamento legal e apropriado ou, por outro lado, exclui-nos para o âmbito da ilegalidade ou do não adequado. O Direito é, no entanto, fruto da valoração que atribuímos às escolhas, e essa valoração é feita por nós. O Direito responde, por conseguinte, a necessidades ou aspirações, as quais se inscrevem numa época e num contexto social e cultural. São por isso não-fixas e podem, acredito, tornar-se adquiridas, como é hoje, por exemplo, o direito da mulher ao voto. Quando falo de Ordem, falo de uma Ordem Universal (supratemporal e não-local), a qual acolhe a diferença, mas vai além dela. Não discuto valores, se são certos ou errados, pois isso depende da avaliação e valoração de cada um. A valoração é um produto de cada indivíduo e do grupo. A minha opinião é, também ela, o valor que lhe dou, mais nada.



Somos livres de pensar ou desejar o que quisermos, inclusive, a morte de alguém, mas somos condenados se o fizermos. Somos livres de escrever, por exemplo, livros, músicas ou realizar filmes que exploram a violência gratuita, que legitimam a vingança ou sublimam técnicas de roubo. No entanto, se o fizermos e formos apanhados seremos presos. Somos livres de desenvolver técnicas de informação (?!) que exploram e promovem emoções como o ódio, a vingança ou o racismo, e somos livres de consumi-las. Pergunto: então, a liberdade do pensamento ou desejo não deveria estar também sujeita a uma responsabilização? Acho que sim, mas aí, onde o Direito não pode nem deve regular, deve regular e educar (como em tudo o resto) a consciência individual, não como censura, mas como introspecção séria e potência transformadora, a qual através do conhecimento de si próprio promove a alteração de quadros de pensamentos e formas de sentir.



Na minha opinião, nada é intrinsecamente bom ou mau, certo ou errado, correcto ou incorrecto. A valoração decorre do rótulo que atribuímos a cada coisa ou acção e foi nessa medida que Nietzsche interpelou o indivíduo - à emancipação do Homem está associada a criação dos seus próprios valores e por conseguinte das suas escolhas, sejam elas no plano mental, afectivo ou da acção. Se não precisamos do Direito para pensar e sentir, porque precisamos dele para delimitar as nossas acções? Não estaremos a subestimar o poder dos nossos pensamentos e emoções? No entanto, são estes os catalizadores que assistem às nossas acções e a todas as nossas escolhas - activas ou passivas, todas acarretam consequências para nossa própria vida e dos outros. A "regeneração humana", como descreve o José António, apela a uma intervenção individual e pessoal sobre esse domínio e, concordo, é aí que se começa verdadeiramente a mudar o mundo - no centro da questão, isto é, no interior de cada um de nós, sendo que cada um de nós é único responsável e o grande arquitecto da sua própria transformação.



Se por um lado fazemos parte de uma ordem natural, convenhamos, não somos tal qual os outros animais. Temos consciência da nossa inteligência, de nós próprios e daquilo que nos rodeia, inclusive, muito para além do nosso espaço e tempo. Problematizamos, discutimos e projectamos realidade ou realidades. Formamos e deformados o mundo que nos rodeia e a nós próprios. Temos ferramentas que nos permitem guardar memória e elaborar sobre ela. Temos a capacidade de antecipar o futuro, de esperar e de sonhar. É a consciência da nossa consciência que acresce o nosso poder de intervenção dentro e fora de nós. O nosso sistema nervoso central, a nossa mente, e todas as nossas habilidades para observar, registar, pensar, problematizar e sistematizar conferem-nos características e particularidades que nos diferenciam das outras espécies. A nossa maior maravilha - a possibilidade de indagar e conhecer - serve qualquer propósito, seja ele criar ou destruir. Neste sentido, o exercício da liberdade é tão só o livre arbitrium que assiste cada a escolha.



Nenhum outro animal pode criar ou destruir tanto quanto nós. Somos conscientes do nosso poder. Temos o dom do conhecimento, que não sendo bom nem mau, permite-nos, consoante as nossas escolhas, criar ou destruir. O conhecimento fica na antecâmara da sabedoria e, aí sim, em consciência-consciente podemos dar-nos conta, sem pruridos, do nosso poder e usá-lo independentemente do Direito vigente. A responsabilidade é parceira da liberdade. A responsabilidade é, por isso, indissociável da escolha e a escolha está intimamente relacionada com a consciência que temos daquilo que sabemos e podemos fazer. É por isso que a minha esperança é imortal - é inevitável que não tenhamos individualmente ou em grupo que depararmo-nos com o resultados das nossas escolhas. Não aspiro mudar o mundo, mas sei que posso transformar o meu próprio. Quer o perceba, quer não, as minhas escolhas (pensamentos, sentimentos, palavras e acções) ditam rumo da minha vida e interferem na vida daqueles que me rodeiam. Essa consciência responsabiliza-me, antes de mais, por mim, mas também pela marca que deixo no outro.



Concordo inteiramente com a observação da Teresa Durães, quando refere a violência que rege as leis da natureza. Mas, não posso deixar de dizer que, se nos comportássemos de tal forma, ainda assim, seríamos menos destrutivos do que temos sido até aqui. Os animais matam e de deixam morrer por imperativos de sobrevivência. Mas nenhum seria ou é capaz de destruir um floresta inteira por vingança, inveja ou ganância. Nenhum animal tortura e se regozija por isso. Nenhum animal seria capaz de, a pretexto de altíssimos valores, (que na minha opinião nada mais são do que egoísmo ou apego) prolongar artificialmente a vida de outrem, mesmo que esta seja apenas e só sofrimento. Da mesma forma que é capaz de sacrificar, verifica-se que um animal é igualmente capaz de defender as suas crias e o grupo. Até hoje, nenhuma zebra, por exemplo, fez escravas as suas companheiras para enriquecer. Nenhuma gazela criou latifúndios de vegetação, para vender depois no mercado da selva, a preço inflacionado. Nenhum leão dominante, que tenha morto as crias de um leão velho e vencido, desatou a matar a despropósito outros clãs de felinos. A luta pela sobrevivência regula-se por comportamentos brutais, mas limitados pela necessidade e capacidade destrutiva, muitíssimo menor do que a humana. O mesmo não podemos dizer sobre os motivos do (ainda pouco) humano Homo Sapiens, entre eles a ganância, o ódio, a inveja, a vingança ou o desprezo pelo outro.

O Direito é uma necessidade. Quanto mais não seja, só por isso, por ser necessário, é um sinal de insuficiência. Como referiu a Raquel, se é preciso proibir, por exemplo, a criação de organizações “perigosas” à democracia (em Portugal), é porque não nos sentimos seguros, nem de nós próprios, nem dos outros. “Os seguros são para os inseguros”, disseram-me um dia, e concordo. Se tivéssemos confiança em nós e nos outros não precisaríamos deste tipo de “seguros”. Pode dizer-se: “pois, mas a natureza humana é má... o ser humano é mau por natureza”. Não acredito. Não aceito sequer. Admito que nos temos comportado muito mal, mas isso não é o mesmo que dizer "somos maus".




Santo Agostinho, ou Agostinho de Hipona (354-430), salvo todo o seu mérito, foi, na minha opinião, um dos mais eloquentes contribuintes para esta diabolização da natureza humana. Agostinho, antes de se entregar à contemplação, filosofia e teologia e de enveredar pela vida monástica, fez um percurso muito pouco virtuoso. Viveu uma vida mundana e muito sensual. Essa experiência foi definitiva para estruturação do moralismo que pregou. A sua vivência (que deduzo pouco ou nada terá tido que ver com o amor) resultou em concepções verdadeiramente detractoras da mensagem de Cristo. Santo Agostinho desenvolveu e vendeu muito bem a tese do pecado original e disse com todas as letras que parir um filho é um acto nojento, que a mulher traz à luz em pecado e que um recém-nascido vem conspurcado pelo acto pecaminoso e vergonhoso da concepção. Segundo Agostinho já nascemos emporcalhados e maus. Ao contrário de Cristo, que pregou sermos filhos e agentes do amor, Santo Agostinho reduziu o indivíduo a uma criatura de origem vil e vergonhosa, e voltou a pôr algemas onde Cristo semeou liberdade: na consciência daquilo que somos. Institui-se o baptismo, sob pena dos “anjinhos” irem parar ao inferno e voltámos “atrás” no processo de emancipação e dignificação da vida humana, sustentada por uma corrente de pensamento, a que não posso chamar outra coisa, se não terrorismo psicológico. É claro que, com isso, a Igreja garantiu gerações de clientela vergadas sob o medo, a vergonha e o terror da punição.



Quer tenhamos consciência disto quer não, e apesar de todos os esforços do período da Renascença, Iluminismo e Moderno ficou-nos incrustado na alma a desconfiança sobre a nossa própria natureza, sobre o papel da mulher, a vergonha do corpo, a negação do prazer e da alegria de viver. Mais: fomos castrados e inibidos do exercício da liberdade/responsabilidade individual pelo justo, natural e feliz curso da nossa vida. Está cá, até hoje, que seremos sempre culpados, que somos sobretudo imperfeitos e que, portanto, a vida, sendo má é com certeza um castigo. Que "andamos cá para sofrer", como quem expia a culpa de ser mal-nascido e fruto da imperfeição, e que devemos aceitar humildemente que nada podemos fazer por nós próprios, a não ser pagar e lamentar por sermos um erro da natureza. Em suma: desconfiamos sempre das coisas boas em nós, nos outros e da vida. As más, essas sim, são consideradas verdadeiras, naturais e, grosso modo, aceites como garantidas.



Arrogo-me o direito de contrariar tudo isto e digo: somos filhos da bondade original. Somos filhos do Amor e não do pecado e estamos impregnados, desde o princípio, não com a maldade mas com o bom em nós. Assim como acreditámos na nossa imperfeição, podemos resgatar a confiança em nós próprios. E, assim como a nossa alegada fraqueza semeou medo, desconfiança e falta de amor-próprio, o resgate da nossa bondade semeará a confiança, o amor, a compaixão e o altruísmo!



E para ti, somos filhos do pecado ou do amor?

Julgo que este post responde a todos os autores dos comentários ao post anterior e que não nomeei no texto. Agradeço a todos a vossa participação e disposição para me ler.
Obrigada!

40 comentários:

Anónimo disse...

Queres um comentário?
Ai vai: No comments!
Obrigada por nos trazeres de volta a nós.
Beijos
Isabel

sa.ra disse...

Obrigada eu, minha amiga-irmã!
beijinhos!
tem um dia muito feliz!

Liliana disse...

Olá

Acho que somos filhos de um Amor que tudo permeia.
Acho que o Homem É Naturalmente.
Como uma consciencia da Natureza...
Em consequência, tem a possibilidade de escolher.
Porém, escolher a bondade não é fácil.Comumente é tida como sinal de fraqueza.O que é um engano muito grande.
Os espertos, são os mais "fortes"... porém menos inteligentes...Esses ainda não entenderam que somos todos interdependentes.
Acham que Cristo não tinha força e era estúpido?
Ou será que o Amor é imenso?

Um abraço a todos

sa.ra disse...

Liliana!

vende-se que o mundo é dos espertos! pode ser... mas isso serve para quem quer TER o Mundo!

é apego, é apropriação de coisas e pessoas (dos seus afectos, ideias, expectativas, sonhos)...

não vamos a lado nenhum nem, por mais que possamos amealhar, garantimos uma existência mais rica e feliz!

concordo contigo!
é preciso ser muito seguro de si e da sua consciência para se ser verdadeiramente virtuoso, como Cristo!

Tão forte e tão frágil é esta nossa existência!

Acredito que o Amor é a grande energia que nos move e que move tudo!
cabe-nos descobrir a natureza e propósito do Amor, pois isso é exactamante o mesmo que descobrir a nossa própria natureza e propósito na vida!

somos AMOR!

beijinhos!
com amor, tem um dia muito feliz!

ordePadamaR disse...

Ao que julgo saber, também Buda foi mundano, antes de atingir a Iluminação. O que nos recorda outra característica iminentemente humana - a capacidade de se redimir e perdoar-se. Somado o livre arbitrio, temos a principal diferença entre as outras espécies do reino animal.

Para quem crê na metempsicose, reconhece facilmente que a única forma de evolução para a espécie humana é pelo desenvolvimento da consciência de cada individuo. Decorrente da acção (karma) desenvolvida, umas vezes somos o estrume, outras a árvore que dele beneficia. Somos nesse sentido instrumentos da evolução ( de uns para os outros) fazendo todos parte da obra do mundo.

O desenvolvimento de uma consciência holística, pressupõe pois que todos são importantes. Em cada momento, existem pessoas bondosas e assassinos. Por essa consciência sabemos que a pena de morte por exemplo é desadequada como castigo.

Mas como proteger e preservar o direito á vida, coexistindo com pessoas de baixo desenvolvimento espiritual ? É por aqui que penso surgir a necessidade de Leis, que regulem uma sociedade. Afinal de contas, a primeira razão de existir um modelo social em qualquer espécie, é a melhoria da proteção e segurança capaz de proporcionar maior probabilidade de sobrevivência dos indíviduos e da espécie.

Para a nova pergunta..o amor é a cola disto tudo

BABA NAM KEVALAM
(O amor é tudo)

sa.ra disse...

ordepadamar,

a mim não me causa qq transtorno a vida mundana!

o moralismo imposto sim!
buda ensinou a tolerância o perdão... e, sobretudo a aceitação de nós próprios como verdadeiros depósitos e catalizadores de energias do amor e da luz!

de resto concordo consigo... e para o resto haja tolerância e compaixão!!!
:)

beijo!
obrigada!

fada do lago disse...

Minha querida,

Para contornar uma situação, estou off dos ultimos posts.

Tenho que ler os comentarios anteriores 53 e o post, ainda mais este e o outro que está "dentro".

Então só para te dizer que virei mais tarde fazê-lo.

Mas quero deixar-te um abraço muito apertadinho.

ordePadamaR disse...

Humm...perfeitamente.

Só que tolerância não, aceitar fica melhor.

Aceitar pressupõe tomar para si próprio;
Tolerar deixa aquela comichão de quem não concorda mas suporta.

Ouvi isto numa das entrevistas de Agostinho da Silva e pareceu-me tão acertado, que adoptei.

Talvez seja um preciosismo. (mas não creio)

...deixo-a com o muito trabalho que vai dar responder a tanta gente..

:-)

Carlos Barros disse...

A CORPOS EDITORA E EU (CARLOS BARROS) CONVIDAM DIA 13 DE MAIO, (DIA DE MILAGRE) PARA A APRESENTAÇÂO DO LIVRO "VAZIO DE CORES" EM VILA NOVA DE GAIA NO SOUND CAFFÉ (PRAIA da MADALENA)ÁS 22 HORAS

Isabel José António disse...

Querida Sa.ra,

Só queria precisar uma "pequena coisita" o que faço com todo o gosto.

Quando falo das Leis da Natureza, não falo da Lei da Selva como, certamente por pouca observação efectuada,ter sido assim interpretado.

O que quero, quiz e reafirmo dizer foi tão só isto:

O Universo existe desde a eternidade, desde que era um ponto onde toda a energia estava consensada (Teoria do Big Bang). Depois foi a grande explosão e o aparecimento de tudo o que existe. Ao princípio eram gases, poeiras e energia pura. Muito milhões de anos depois aparece o homem, já depois de terem aparecido todos os outros seres dos reinos mineral, vegetal e animal, certo?

Ora esse Universo e todos os outros que se lhe seguiram e ainda funcionam, obedecem a Leis, quer o homem goste ou não goste; queira ou não queira. E o homem ainda as anda a estudar e descobrir. Nada destas Leis tem a ver com a Lei da Selva.

As Leis Universais de que falo podem resumir-se assim:

1 - Todo o Universo é energia;
2 - Toda a causa produz um efeito e não há efeito sem uma causa (Lei dde Causa e Efeito);
3 - O Que está em Cima é como o que está em Baixo (traduzindo: O microscosmos é como o macrocosmos - veja-se a estrutura espiralada duma galáxia e da cadeia do DNA);
4 - O Universo e a Natureza funcionam por ciclos (veja-se o dia, a noite; as estações do ano; o ciclo da água na Terra, etc,., etc.);
5 - No Universo existe uma ordem (nunca há desordem), sendo que os materiais se "ordenam" com os de densidade mais "densa" (passe o pleonasmo) em baixo e à medida que se vão tornando mais leves vão subindo de nível até chegarmos àqueles níveis tão subtis que os nossos olhos normais já não captam mas que existem e estão no topo da vibração.

Existem outras leis mas para a compreensão do quero e quiz dizer já chegam as que refiro.

Ora estas leis tudo comandam. Quando fazemos referência à principal, talvez, da Causa e Efeito, é que todas as nossas acções, palavras, pensamentos se inscrevem nesse Universo produzindo um efeito (já que são elas a causa).

Mesmo que nada digamos só a intenção já é uma causa. Assim produzirá o seu efeito quer seja imediato ou mais ao "retardador".

Quando Jesus dizia: "O que colheres será o que semeares", "O que fizeres ao outro é a mim que o fareis", "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" ele sabia estas leis todas já que era um Filho do Universo e um SER com uma evolução muito acima de toda a humanidade do seu tempo.

Ou seja, se soubermos que tudo se regista, tudo produz efeitos, mais deveríamos ter atenção ao que dizemos, fazemos ou pensamos, ou até ao que não fazemos e deveríamos fazer.

O mesmo se aplica à constituição do próprio SER HUMANO que tem vários corpos desde o mais denso, que é o que todos veem, aos mais subtis (alma, espírito, corpo emocional, o corpo dos dos desejos) embora funcione como um todo.

Ora a mente humana, peça fulcral do próprio SER HUMANO é dual, tanto funciona para os corpos mais densos como para os mais subtis.

Tanto pode produzir obras de arte, de ciência, da tecnologia, como pode produzir o caos, o inferno, a destruição, o ódio, a ganância, etc., etc.

Ser consciente deste facto será o primeiro passo para a mudança.

A segunda e grande mudança é que quando compreendemos estas leis universais, que funcionam independentemente da nossa vontade, podemos iluminar o nosso caminho e o dos outros. Mas a mudança fundamental vem de nós mesmos e desta compreensão.

Podemos inventar sistemas políticos, leis do Direito, da Economia, e por aí fora. Já tivemos de tudo. Barbárie, Feudalismo, democracia burguesa, dinastias de todas as espécias, capitalismo e socialismo. Aliás a tentativa de socialismo, fracassou porque a mente humana se deixou "levar" pela ganância, sede de poder e protagonismo sem atender às Leis Universais. As Energias começam a não fluir, a não interagir e ficam bloqueadas. Acabam por estoirar e interromper o ciclo em que tudo está interligado.

Era fundamental que compreendessemos, que sabessemos, que nos integrássemos no funcionamento desse fluxo do Universo e agissemos em conformidade com esse sentido.

Para isso deveríamos estar atentos, viver cada momento como se fosse o último, no PRESENTE, com a consciência de que tudo o que fazemos ou não fazemos tem os seus efeitos.

Se começarmos a mudar nós mesmos, podemos tornar-nos num "foco" de mudança.

Peço imensa desculpa por este texto ser um pouco longo. Mas não há hipótese de referir tudo isto duma maneira mais sucinta.

Um beijinho
e uma boa semana

José António

greentea disse...

tb te apareceu a fada do lago?
estou como ela e tão tarde q vou ter de voltar, tomarrow...

mitro disse...

isto é grande que se farta!
E falas de coisas muitto importantes!
Como se pode comentar um texto assim?

Uma sugestão: Divide isto por episódios!

Teresa Durães disse...

- tudo bem na frente ocidental ;)

Também não falei só das leis da selva mas não concordo inteiramente com o que diz o josé antónio.

A energia não é positiva nem negativa, é simplesmente energia e flui sempre (mais tarde ou mais cedo, de uma forma mansa ou brutal)

Posso dar exemplo, como os tremores de terra - a terra expele a energia através dos tremores de terra- vários a 4º ou um a 9º que arrasa.

O homem na terra é uma praga e está a destruir. Mais tarde ou mais cedo a natureza equilibra-se. Resta saber como. (causa-efeito)

A energia para fluir precisa de polos opostos (uma leio muito simples) e precisa de equilibrio. Os polos opostos não representam o bem e o mal, representam apenas os opostos.

A terceira lei do JA pode estar em causa com os buracos negros por mais esotérica que seja...

Os ciclos são visíveis na terra, a nivel do universo, e cientificamente falando, a determinada altura espera-se a contração do universo (não estaremos vivos)

Na 5, terá sempre de haver o oposto para o equilíbrio (aqui eu contradigo porque senão anula as restantes regras)

Por isso, as leis da Natureza são simples, a consciência dos nossos actos leva(-nos) a certos caminhos mas não se pode pedir à humanidade que sejam os Cristos, os Budas e os Iluminados.

Já agora, antes de S. Agostinho, no Velho Testamento vem já o conceito da expiação. Cristo trás o conceito do Amor (deturpado mais tarde).

Também Aristóteles "arrumou" a mulher na prateleira.

O Paulo (São, para quem quiser), no discurso aos Coríntios, também conseguiu arrumar de vez com a mensagem de Cristo. O desgraçado do Agostinho nem era mauzinho de todo. Até se baseava muito no discurso Grego. Esse Paulo, esse sim,

"(...)era o espectro, era a tortura
Que rala, que aniquila, que consome!
Ele era a fome,
E a sepultura!"
Deus, João - Os ratos reunidos em conselho

Louie disse...

Somos Piratas gentis
E viemos visitar-te:
Para te fazer feliz
Viemos aqui convidar-te
Para nos vires visitar
Na nossa Ilha encantada...
Acho que tu vais gostar
E voltar mais animada!

Louie, the Heart Worrior

Natureza disse...

Olá. Vim para dizer que eu tenho novo blog. http://amanteanimais.blogspot.com/
Beijos para ti

Jardineira aprendiz disse...

E valeu a pena esperar! 'Sou filha do amor que há entre Deus e o Diabo...' E é por isso que faço caminho. Tento escolher bem...
Já é tardíssimo, adorei o post, beijinhos

sa.ra disse...

Olá fada do lago!
(que lindo nome!!!!)

(fui à procura do teu blog, e nada!!!!!)

:)

volta sempre!

beijinhos!
tem um dia muito feliz!

sa.ra disse...

ordeopadamar!!!!

adorei a sugestão preciosista!
também sofro disso, do preciosismo!
bani "culpa" do me vocabulário, uso "responsabilidade"... certo e errado, estão sujeitos a contextos... bem e mal estão fora... prefiro o que cria ou o que destrói, sendo que ambos não "neutros"!


obrigada!
de hoje em diante "ACEITO"!

beijinhos!
um dia muito feliz!

sa.ra disse...

Carlos Barros,

obrigada pela visita e pelo convite!
não posso!
:)
fica para uma próxima oportunidade!
beijos!
dia muito feliz!

sa.ra disse...

meu querido amigo José António!

o seu comentário não é longo, é do "tamanho" necessário e, sabemos, muito ficou por dizer!

é evidente (para mim) de que Leis está a falar!

:)
são essas, sem dúvida!

obrigada!
um dia muito feliz!

sa.ra disse...

Greentea!

a Fada apareceu e desapreceu!!!!
:)
fui à procura e não a encontrei!!!
é uma FADA... deve ser por isso!!!


Beijinhos para ti!
tem uma dia muito feliz!

sa.ra disse...

Mitro!!!!

eheheheh!
é grande que se farta, tens razão!!!!


já não dá para dividir em episódios! mas podes ler aos bocadinhos!
:)

uma dia pego nisto e reescrevo por capítulos, mas não aqui!

mas não prometo nada!!!

beijinhos!
tem um dia muito feliz!

sa.ra disse...

Olá Teresa!!!!

Subescrevo tudo o que disseste no teu comment, contudo (perdoem-se se emburrei), mas não vejo qq oposição àquilo que o José António disse!
sinceramante, ambos estão a dizer o mesmo!!!!

É claro que o Santo Agostinho não inventou nada... mas sublinhou!!!

Com o Aristóteles, amiga, tenho uma "pega pessoal"!

Com o Paulo, que é tão São como o Agostinho é Santo, nem pega tenho!
Esse senhor passou-se!!!!!

Lamentavelmente, certos convertidos... depois de percusos naturalmente sinuosos, revolveram impôr moralismos... faltou-lhe aceitar quem foram e o que fizerem ou como o fizerem... se tal tivesse acontecido não se teriam tornado "ditadores" de uma moral de auto-expiação, sacudida sem dó nem piedade sobre os outros!

enfim...
cada um terá feito o melhor que soube... mas semeou muito medo,culpa, castração, vegonha e desamor, onde deveria ter feito o contrário... isto assumindo que estavam, ou acreditavam estar a trilhar o caminho da Luz!

"pai, perdoa-lhes que não sabem o que fazem"

assim seja!

beijinhos!
um dia muito feliz amiga!

sa.ra disse...

Louie ou piratas gentis!

obrigada pela visita e pela boa disposição!

vou visitar-vos sim!
até lá, beijos
um dia muito feliz!

sa.ra disse...

Pedro, da Natureza!

obrigada!

vou visitar-te em breve!
beijinhos!
tem um dia feliz!

sa.ra disse...

Jadineira querida!

o "bem" é o que nos faz feliz, a nós e aos outros!!!!

é isso, não é?
:)

beijinhos!
tem um dia feliz, cheio de Sol e cor lá no teu Jardim!

Jardineira aprendiz disse...

Deve ser. :) Devia ser. Mas às vezes há curvas que fazem o caminho longo... nós somos um bicho complicado!
Bjinho!

ordePadamaR disse...

isto é mesmo como as cerejas..eh eh

Faço este comentário, pelo que escreve Isabel José António e Teresa Durães.

A Teoria do Big Bang, que Hawkings remete para o conceito de singularidade, tal como os buracos negros, são apenas conceitos se bem que muito importantes, para a tentativa de explicar o incomensurável..A ciência começa a crer que o universo sempre existiu. A mecânica quântica, possibilita algumas teorias muito interessantes ou interpretações de resultados; A Interpretação de muitos mundos (IMM) e a Consciência causa Colapso, são duas das interpretações mas interessantes para mim. Podem ser melhor compreendidas ou apresentadas no filme What Bleep Do We Know ? que muitos já devem ter visto..os que não viram deviam ver.

Outro aspecto decorrente, tem haver com a forma como interpretamos a enegia. Castañeda descreve uma forma fantástica de percepção ou cognição da realidade, apresentada por D.Juan Matus, um Xamã do Novo México. É uma forma alternativa de como percepcionamos a energia e podemos desenvolver (poderemos?) uma estrutura de cognição diversa da nossa realidade tridimensional e pensamento dual.

O que nos leva de facto a ter muito poucas certezas de como é a totalidade, a que leis de facto obedece ou mesmo se existe uma teoria unificadora. Como diz Bowie em Quicksands..."Knowledge comes with death's release"..e para evitar cair em areias movediças, vale talvez a pena manter uma mente aberta e confiar.

ruth iara disse...

Querida, quanto a pergunta difícil: eu não sei. Gosto muito da Kabalah Judaica como filosofia ética, embora eu também goste muito do anarquismo. Na Kabalah temos duas naturezas: uma boa e outra má. Não concordo ou discordo disso, mas respeito este posicionamento e respeito muito o teu também. A kabalah não se limita a colocar regras, mas educa para que nossas atitudes partam de dentro de nós. O anarquismo também crê que devemos nos conduzir muito bem visando a harmonia e o bem comum. Eu diria que é muito bom que sejamos educados o suficientes para precisarmos cada vez de menos leis, Direito e força. Chegaremos lá um dia?

Muito carinho!
Beijos!

jorgesteves disse...

Que trabalho custoso este de responder a todos os comentários e, mais ainda, 'redesenhar' toda uma argumentação na base desses comentários e da própria formulação do tema! Por isso, vale e vale bem um meritoso aplauso! Não que deixe de fora um raciocínio bem elaborado e consistente. Perfeito!
Deixe-me tão só deixar aqui um pequeno alerta: é perigoso, por vezes até acaba em enviesados caminhos, misturar -por lado a lado que seja- religião, fé, crença ou concepção metafísica com ciência ou metodologia científica. Maus resultados, quase sempre...
amizade,
jorgeseteves

sa.ra disse...

Vocês são fantásticos!

é só o que posso dizer agora! os vossos comentários deixam-me banzada!

(vou respirar... eheheheh)
volto a seguir!
:)
até já!

sa.ra disse...

José Esteves,


olá amigo!

obrigada pelo teu agradável e lisongeiro comentário!

compreendo as tuas preocupações... a história deu má fama a tais misturas, não é?

mas misturo sem medo... porque a mistura não é visa endoutrinar! é exposição... partilha!

vejo-me assim: tudo junto, mas não misturado... um corpo e sua exactidão concreta, uma mente e suas ideias em movimento, um alma e suas experiências de alternância e um espírito ou coração pulsante (on-off), feliz, no vazio entre cada pulsar!

para mim, o "lado-a-lado" não existe... vejo de outra forma... a da integração!

:)

beijinhos!

sa.ra disse...

Jorge... DESCULPA!
chamei-te "José"...
desculpa!
bj

sa.ra disse...

Ruth querida,

esta discussão demosntrou-me uma coisa... estamos todos a falar do mesmo... mas a dar-lhe nomes difrentes... se falas em natureza boa e má (da Kabalah) eu vejo, não nem boa nem má... mas a luz e da sombra, a consciência e o ego... o dia e noite... a morte e a vida, sendo que todas são partes inteiras e indisossiáveis como Pai e Mãe, irmão e irmão, que juntos concebem a criança... não há sobreposição... mas a união de ambos!a re-ligação!

enfim... é o mesmo, é isso que sinto... o conhecimento é UM!

não sei se chegaremos lá um dia... mas o universo, connosco ou sem nós, voltará a unir, a ligar aquilo que entendemos estar separado, e voltará a repousar, acredito, no silêncio informe do Nada, antes de outro Big Bang...

beijinhos!
tem um dia muito feliz!

sa.ra disse...

odepadamar,

volta sempre!
confiemos! confiemos!

..."Knowledge comes with death's release"...

acredito tanto nisto... quer dizer tantas coisas, tantas....

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Boa noite querida...

Fui invadida e por tal feito, impedida de fazer uso de meus próprios espaços...

Agora já cosegui de volta as senhas e se desejares saber o que aconteceu, poderás ir até minha janelinha para ler.

Gostaria de comentar sobre esse teu magnífico post, mas te digo de coração que estou exausrida com os acontecimentos e assim, tão logo seja possível, eu o farei...

Beijinhos!!!
Da Cris!!!
ò,ó

João Barbosa disse...

Somos filhos do amor! Só o amor compensa!

sa.ra disse...

Querida Lâmina d'água,

fiquei gelada com o relato do que te fizeram...

apesar de tudo, o teu próprio calor não esfriou... e por tudo o que revelas e demosntras, só posso dizer que é um previlégio conhecer-te!

bijinhos!
dia muito feliz!

sa.ra disse...

João Barbosa!

que bom ouvir-te!
beijinhos!

um dia muito feliz!

Su disse...

gostei de ler.te

gostei deste teu trabalho

mas..sempre que falamos de conceitos tão altos como a liberdade/ anarquia/direito/ religião/ bom /mau, há que referir em q termos estamos a falar, pois os mesmos tem significados diferentes nas diferentes áreas
como por ex. na ciencia/ na religião/ na poltica

o ser humano é um todo
é animal.. racional....mas a compreensão destes mesmos varia conforme a vivencia...penso que não podemos fazer tabelas

de qq modo uma vez mais o trabalho está muito bem feito na medida em que sempre que abordas um dos temas, fazes referencia a uma filosofia.... mas elas tem o seu interesse no espaço e no tempo e tb não nos podemos esqueçer disso.

jocas maradas