11 março, 2008

acreditas?



- Mãe, existem mesmo unicórnios?
- Claro!
- A sério? Onde?
- No mundo dos sonhos. Vivem com as fadas e outros seres mágicos.
- Mas esse mundo é onde? É em Portugal?

- Também.
- Ai, acho que estás a enganar-me.
- Não estou nada! O mundo mágico dos sonhos é em toda a parte.
- Posso ir lá?
- Sempre. O mundo dos sonhos só vai desaparecer se deixares de sonhar.
Vou contar-te um segredo para estares prevenida: quem diz que não existem unicórnios e fadas diz isso porque deixou de sonhar.
Só por isso!

10 março, 2008

Free Tibet



MARCHA A FAVOR DO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NO TIBETE

Hoje, 10 de Março, aniversário da revolta do povo tibetano, em 1959, contra a ocupação e repressão chinesa, serão realizadas marchas pacíficas e acções de protesto em todo o mundo, exigindo o respeito pelos direitos humanos no Tibete, o reconhecimento do direito do povo tibetano à autonomia, a libertação dos presos políticos por parte da China, país que procede a um genocídio étnico e cultural no Tibete e que viola brutalmente os mais elementares direitos de homens e animais.

Estas acções acontecem também no dia em que começará a marcha pacífica de regresso de muitos tibetanos ao Tibete, a partir de Dharamsala, na Índia, inspirada na Marcha do Sal promovida por Gandhi. Estas acções não são contra o povo chinês, mas apenas contra a política do actual governo chinês, que oprime o seu próprio povo e não está à altura da sua grande tradição cultural, onde avultam os valores da milenar sabedoria confucionista, taoista e budista.

Cabe aos portugueses, com uma tradição de humanismo universalista, que tanto se mobilizaram por Timor e que recentemente tão bem receberam Sua Santidade o Dalai Lama, não permanecerem indiferentes a esta nem a nenhuma forma de opressão existente no mundo.

Vimos por isso convidar todos a aderirem à MARCHA A FAVOR DO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NO TIBETE que se realizará no dia 10 DE MARÇO, 2ª feira,:

Em Lisboa: com concentração no Rossio junto à estátua, pelas 18.30, de onde seguirá para o Largo de Camões e de seguida para o Cais do Sodré.

No Porto: concentração nos Leões pelas 18h30, seguindo pela Avenida dos Aliados, Santa Catarina até à Praça da Batalha.

Em Aveiro: Conferência de Imprensa da União Budista Portuguesa (Delegação de Aveiro) e da Amnistia Internacional, pelas 18.30, no Hotel Imperial, sobre a situação de violação dos Direitos Humanos no Tibete.

No Funchal: concentração no Parque de Santa Catarina, pelas 18h30.


Convidamos também todas as associações cívicas e humanitárias a aderirem a esta manifestação.


CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA ! DIVULGUE ESTA INICIATIVA !


Não permaneça cúmplice, pela indiferença e pela abstenção, desta e de outras injustiças que há no mundo.


Encontra-se disponível em
http://www.petitiononline.com/Tibete08/petition.html
Petição a favor da aprovação pela Assembleia da República de uma moção que condene a violação dos Direitos Humanos e da Liberdade Política e Religiosa no Tibete.



ORGANIZAÇÃO:

União Budista Portuguesa Tel: 21 363 43 63 (www.uniaobudista.pt)

Songtsen - Casa da Cultura do Tibete Tel: 21 390 40 22 (www.casadaculturadotibete.org)


CONTACTO (Media):

Tm: 91 811 30 21


APOIO:

Amnistia Internacional

Associação Agostinho da Silva

26 fevereiro, 2008

resposta



Porque se fala tanto de corrupção e porque acredito que o caminho é a não cooperação, volto a colocar no soukha este video: "Só de sacanagem", um poema fabuloso na voz de Ana Carolina.

19 fevereiro, 2008

disciplina



"Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua"

Mahatma Gandhi

07 janeiro, 2008

17 dezembro, 2007

nascer criança


José Sobral de Almada Negreiros (1893 - 1970)

Em breve o Sol há-de levantar-se e sobrepor-se à noite.
O Sol há-de nascer criança.
A terra e as suas criaturas também.
No ventre da vida germina a renovação dos seres.

Em breve hei-se nascer.
Como o sol, como as árvores, como todas as criaturas.
Vou nascer criança outra vez.
Vou aprender a falar, a andar, vou cair, vou resistir.
Vou olhar e ver o mundo pela primeira vez.
Sem passado, sem futuro, sem certezas, contemplo o desconhecido.
Aguardo e sorrio.
Hei-de nascer criança e começar de novo a grande aventura.
Foi isto que aprendi sobre o Natal e sobre o menino Jesus.
Ensinaram-me as árvores e o Sol.
Ensinou-me a Terra.
E hei-se nascer criança para continuar a aprender.

Feliz Natal a todos

Pelos direitos das crianças, assine esta petição,
uma mensagem que recebi daqui

26 novembro, 2007

O pássaro da alma



"No fundo, bem lá no fundo do corpo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
mas todos sabem que existe.
E não só sabem que existe,
como também sabem o que lá tem dentro.

Dentro da alma, lá bem no centro,
pousado numa pata, está um pássaro.
E o nome desse pássaro é o Pássaro da Alma.
E ele sente tudo o que nós sentimos.

Quando alguém nos magoa,
o pássaro da alma agita-se para lá e para cá
em todos os sentidos dentro do nosso corpo, sofre muito.
Quando alguém nos ama,
o pássaro da alma dá pulinhos de contente,
para trás e para a frente, vai e vem.

Quando alguém nos chama,
o pássaro da alma põe-se logo à escuta da voz
a fim de reconhecer que tipo de apelo é.
Quando alguém se zanga connosco,
o pássaro da alma recolhe-se
dentro de si ,tristonho e silencioso.

E quando alguém nos abraça, o pássaro da alma
que mora no fundo, bem lá no fundo do nosso corpo,
começa a crescer, crescer,
até encher quase todo o espaço dentro de nós,
tão bom para ele é o abraço.

Dentro do corpo, no fundo, bem lá no fundo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
mas todos sabem que ela existe.
E ainda nunca, nunca veio ao mundo alguém
que não tivesse alma.

Porque a alma entra dentro de nós no momento em que nascemos
e não nos larga
- Nem uma só vez –
até ao fim da vida.

Como o ar que o homem respira
desde a hora em que nasce até à hora em que morre.
Decerto querem também saber de que é feito o pássaro da alma.
Ah, isso é mesmo muito fácil:
É feito de gavetas e mais gavetas.

Mas não podemos abrir as gavetas de qualquer maneira,
pois cada uma delas tem uma chave para ela só!
E o pássaro da alma
é o único capaz de abrir as gavetas dele.
Como?
Pois isso também é muito simples :
Com a segunda pata.

O pássaro da alma está pousado numa pata,
e com a outra – que em descanso está dobrada sob a barriga –
roda a chave da gaveta que quer abrir,
puxa pelo puxador, e tudo o que está dentro dela
sai em liberdade para dentro do corpo.

E como tudo o que sentimos tem uma gaveta,
o pássaro da alma tem imensas gavetas.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da inveja e a gaveta da esperança.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
A gaveta da paciência e a gaveta do desassossego.
E mais a gaveta do ódio, a gaveta da cólera e a gaveta do mimo.
A gaveta da preguiça e a gaveta do vazio.
E a gaveta dos segredos mais escondidos,
uma gaveta que quase nunca abrimos.
E há mais gavetas.
Vocês podem juntar todas as que quiserem.

Às vezes uma pessoa pode escolher e indicar ao pássaro
as chaves a rodar e as gavetas a abrir.
E outras vezes é o pássaro quem decide.
Por exemplo: a pessoa quer estar calada e diz ao pássaro para abrir
a gaveta do silêncio. Mas ele, por auto-recriação,
Abre-lhe a gaveta da fala,
E ela desata a falar, a falar sem querer.
Outro exemplo: a pessoa quer escutar pacientemente
- e em vez disso ele abre-lhe a gaveta do desassossego
que faz com que ela se enerve.
E acontece que a pessoa tenha ciúmes sem qualquer motivo.
E que estrague justamente quando mais quer ajudar.
Porque o pássaro da alma nem sempre é disciplinado
e às vezes dá-lhe trabalhos...

Agora já compreendemos que cada homem
é diferente do seu semelhante
por causa do pássaro da alma que tem dentro de si.
O pássaro que em certas manhãs abre a gaveta da alegria,
e a alegria jorra para dentro do corpo e o dono dele fica feliz.
E quando o pássaro lhe abre a gaveta da raiva,
a raiva escorre de dentro dela e domina-o totalmente.
Até que o pássaro volte a fechar a gaveta
ele não pára de se zangar.
E quando o pássaro está de mau humor
abre gavetas que dão mal-estar.
E quando o pássaro está de bom humor
escolhe gavetas que fazem bem.

E o mais importante – é escutar logo o pássaro.
Pois acontece o pássaro da alma chamar por nós, e nós não o ouvirmos.
É pena. Ele quer falar-nos de nós próprios.
Quer falar-nos dos sentimentos que estão encerrados nas gavetas dentro de nós.

Há quem o ouça muitas vezes.
Há quem o ouça raras vezes,
E há quem o ouça
Uma única vez na vida.

Por isso vale a pena
talvez tarde pela noite, quando o silêncio nos rodeia,
escutar o pássaro da alma que mora dentro de nós,
no fundo, lá bem no fundo do corpo."

Michal Snunit

08 outubro, 2007

"O agora"



"Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Teria menos pressa e menos medo. Daria valor secundário às coisas secundárias; na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. Seria muito mais alegre do que fui. Só na alegria existe vida. Manteria distâncias enormes das pessoas ciumentas e possessivas. Seria mais expontâneo. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Seria mais ousado: A ousadia move o mundo. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos sopa, teria menos problemas reais e nenhum imaginário. Eu fui uma dessas pessoas que vivem preocupadamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, tentaria ter somente bons momentos. A vida é feita disso: só de momentos, nunca percas 'O agora'. Mesmo porque nada nos garante que estaremos vivos amanhã de manhã. Eu era um desses que não ia a parte alguma sem um termómetro, um saco de água quente, um guarda-chuva ou um paraquedas; se voltasse a viver viajaria mais. Não levaria comigo nada que fosse apenas um fardo. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no início da Primavera e continuaria assim até o final do Outono. Jamais experimentaria os sentimentos de culpa e ódio. Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que eu tive. Viveria cada dia como se fosse um prémio. E como se fosse o último. Daria mais volta na minha rua; contemplaria mais amanheceres e brincaria muito mais do que brinquei. Teria descoberto mais cedo que só o prazer nos livra da loucura. Tentaria uma coisa nova todos os dias, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas como sabem, tenho 88 anos e sei que estou morrendo."

Viver a Vida, Jorge Luis Borges

retirado daqui

04 outubro, 2007

estado da arte



A Arte de Viver em Paz e Não-Violência
Seminário de entrada gratuita, dia 14 de Outubro, aqui.

26 setembro, 2007

até quando...


Reuters


Associated Press


Agence France-Presse — Getty Imag

... isto vai continuar a acontecer?

Quem quiser pode dar o seu contributo aqui, assinando a petição de apoio aos monges birmaneses.

24 setembro, 2007

escuto


"Não podemos ser felizes se preferirmos as ilusões à realidade. A realidade não é boa nem má. As coisas são como são e não como preferíamos que fossem. Compreendê-lo e aceitá-lo é uma das chaves da felicidade"
Dalai Lama

20 julho, 2007

Imaginação com Valor

e o valor da imaginação



Do schools today kill creativity? (Ken Robinson, TEDTalks)

O sistema de ensino actual está a matar a criatividade?

via o último metro que chegou à última estação... desejo-te novas boas viagens!

17 julho, 2007

integração

Porque...


Imagem captada na Cova da Moura, Lisboa


09 julho, 2007

A Evolução da Forma



A evolução da forma

Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?

A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.

Jalal ud-Din Rumi
Poeta e místico sufi do século XIII
(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)

12 junho, 2007

ciclo do tempo



Só germina a semente que se entregou à terra.
Germina porque se entregou.
Morreu como semente.
Renasceu planta.
Fez-se alimento.
Fez-se nova semente.
Viveu com desapego todas as formas.
Cumpriu-se.
Uma e outra vez voltará a entregar-se.

31 maio, 2007

glória



"O formoso consolo de encontrar
o mundo numa alma, de abraçar
a minha espécie numa criatura amiga"

f.Hölderlin

O topo do mundo é o lugar de onde se pode abraçar o mundo todo.
Por mais alto que tenhas subido,
se não consegues fazê-lo,
então não chegaste ao topo.

Experimenta sentar-te ao lado do homem mais humilde
e sentir-te lado-a-lado com ele.

Experimenta conversar com uma árvore sem te sentires ridículo.

Experimenta maravilhar-te com a liberdade dos pardais.

Experimenta ouvir aqueles que detestas.

Experimenta sentir piedade pelos déspotas.

Experimenta não exaltar a tua vitória ou o teu fracasso.

Experimenta renunciar à importância da tua opinião.

Experimenta acreditar na beleza.

Experimenta confiar na bondade.

Experimenta desconfiar das tuas crenças.

Experimenta não querer chegar a lado nenhum.

Experimenta sonhar sem limites.

Experimenta fazer alguma coisa que não sirva para nada.

Experimenta fazer alguma coisa que só servirá ao próximo.

Experimenta reparar na quantidade de próximos que não tens notado.

Experimenta considerar que tudo é sagrado.

Experimenta olhar no fundo dos teus olhos.

Experimenta comover-te contigo próprio.

Experimenta não te censurares.

Experimenta acreditar que há uma missão que só tu podes cumprir.

Experimenta ouvir o teu coração.

Experimenta obedecer-lhe.

18 maio, 2007

contágios



"A liberdade exterior que atingirmos depende do grau de liberdade interior que adquirirmos. Se é esta a justa compreensão da liberdade, o nosso esforço principal deve ser consagrado a realizar uma mudança em nós próprios."

Mahatma Gandhi


Não é primeira vez que publico estas palavras de Gandhi.
Mas acho que nunca é de mais lembrá-las.

Para mim continuam a ecoar como se estivesse a lê-las pela primeira vez. É essa a diferença entre "falar" ou "dizer". Muita gente fala, mas pouco dizem alguma coisa que crie sempre esse eco, que tenha essa força, esse poder inspirador e transformador! Ganhdi ressoa em todos aqueles que buscam a mudança e que acreditam na sua construção, com paz, respeito, reponsabilidade e sobretudo muita humildade.
Isto é, na minha opinião, um "meme".

E o que é um 'Meme'?

'Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".' (definição que circula com a corrente)


É esta a minha resposta-meme aos desafios lançados por voando por aí, veritas e cores da terra.

E agora cabe-me convidar outros para fazer o mesmo.
Convido o recente e muito honesto From Gardens Where We Fell Secure , o também recém-achado Barra Zen e um "velho" e talentoso amigo, o Infotocopiável.

08 maio, 2007

Denúncia

Recebi esta denúncia por e-mail, a qual reproduzo na integra.



No dia 27 de Março de 2007 foram abatidos indiscriminadamente 16 cães que estavam no Canil Municipal de Beja. O que me leva a denunciar esta triste ocorrência é um conjunto de situações que descambou neste triste fim.

Os animais errantes do concelho de Beja são capturados e levados para o canil municipal que se divide num canil exterior com cerca de 3 por 7m e um edifício comquatro levas que, por sua vez estão divididas em boxes de 80 por 80cm.

Durante meses, os animais capturados foram "empilhados" dentro do espaço exterior (provavelmente porque é mais fácil limpar um canil exterior dos quevários interiores).
Cadelas com cio misturadas com vários machos (inevitavelmente acabaram por parir ali mesmo - uma das cadelas foi morta pelos outros animais devido ao cheiro a sangue do parto recente); cachorros misturados com animais doentes.

Por várias vezes esta foi situação reportada pessoalmente no gabinete do Pelouro responsável. Foi feito envio de fotos por email mas a situação manteve-se.

Chegou ao ponto de o nº de animais dentro do canil exterior de 3 por 7m ascender a 30.O animais nem tinha espaço para mexer-se. O Cantinho dos Animais de Beja, cujo canil está alojado paredes-meia com o Canil Municipal (o terreno pertence à Autarquia) disponibilizou-se a, em conjunto com as duas associações estrangeiras (uma sueca eoutra alemã) tirar fotos dos animais e a tentar encontrar donos para os mesmos, inclusive, em detrimento dos animais da Associação, tal não era a situação precária em que se encontravam.



Isto passou-se entre 20 a 22 deste mês. Tínhamos já agendado a data para tirar fotos e fazer análises ao sangue (sem qualquer custo a imputar àCâmara!) quando, na sequência de contacto com o encarregado do Canil, o sr. informa que já não tínhamos autorização para tirar as fotos. De imediato contactou-se pessoalmente o Pelouro e foi-nos confirmada a não-autorização mas que, em alternativa, um funcionário da Câmara iria fazê-lo.

Embora a situação fosse caricata aceitou-se a decisão. O referido funcionário tirou fotos a apenas 18 animais, sem dúvida os que teriam melhor aspecto.
O fim dos outros ficou determinado a 27 de Março quando, sem pré-aviso algum, a Veterinária Municipal, fazendo-se acompanhar de um auxiliar, dirigiu-se às instalações para abater todos os seus ocupantes. O funcionário da associação, que há muitos anos conhece o procedimento de tratamento e abate da Veterinária Municipal intercedeu junto da mesma para que não continuasse, ao que foi ameaçado com a pessoa do Vereador e a Polícia.

Talvez a forma como o nosso funcionário intercedeu na matança não fosse a melhor, mas é ele quem, dia após dia, testemunha as situações, tendo por várias vezes feito tratamento a alguns animais porque a Veterinária apenas se desloca ao Canil para abater cães vadios ou para vacinar os cães em tempo estipulado pela legislação.

Por várias vezes, vários amigos do Cantinho arcaram com as despesas de eutanásias devido à ausência/incompetência da Veterinária. Ontem o método de abate que foi testemunhado foi o seguinte: a Veterinária e o auxiliar usaram luvas de aço (iguais às usadas nos talhos), colocaram açaimes nos focinhos dos cães e injectaram o produto directamente no coração provocando uma tortura atroz que nem sempre causava a morte (alguns animais ainda estavam vivos enquanto os atiravam para a pilha de cadáveres).



Além das óbvias questões de ética que se levantam, cabe-nos divulgar este tipo de acontecimento para que não se repita no futuro.
Para tal, contamos com o V. apoio para mostrar à Câmara Municipal de Beja a força das associações, agrupamentos e particulares que lutam pelos Direitos dos Animais. Por favor, enviem a V. mensagem de desagrado para geral@cm-beja.pt.
Obrigada

Como podem ter reparado, o único email que surge no site da Câmara Municipal de Beja é generalista – e não chega a existir qualquer confirmação de recepção de emails (a desculpa sempre é que existe qualquer problema com o servidor).

Assim, venho solicitar-vos, caros amigos e companheiros de luta e ideais a, mais uma vez, demonstrarem o vosso desagrado/raiva/tristeza/etc mas através de carta para a seguinte morada:

a/c Presidente da Câmara Dr. Francisco Santos
Câmara Municipal- Praça de República7800-427 Beja

ou

a/c Vereador Miguel Ramalho
Câmara Municipal- Praça de República 7800-427 Beja


Lista de endereços de e-mail de instituições e orgãos de comunicação social
onde podemos dar a conhecer a situação:

mailto:pm.gov.ptgeral@cm-beja.pt
geral@cm-beja.pt
direccao@correiomanha.pt
reportagem@correiomanha.pt
geral@correiomanha
sandralopes@correiomanha.pt
ruisantos@correiomanha.pt
raquelpinto@correiomanha.pt
ptadeu@24horas.com.pt
olga.lobo@24horas.com.pt
osverdes@mail.telepac.pt
mailto:esquerda@esquerda.net
cds-pp@cds.pt
psdbeja@iol.pt
geral@psdlisboa.org
mailto:mportal@ps.pt
Correio.Geral@ar.parlamento.pt;
mailto:mgp_psd@psd.parlamento.pt
gp_pcp@pcp.parlamento.pt
gp_pp@pp.parlamento.pt
mailto:blocoar@ar.parlamento.pt
PEV.correio@pev.parlamento.pt
pm@pm.gov.pt

02 maio, 2007

a busca




Ela estava desfeita.
Uma parte dela tinha sido morta, despedaçada.
Chorou. Chorou copiosamente.
Provou então o sabor amargo do infortúnio.
E sentiu-se tão só, tão desamparada.
A dor tinha tomado de assalto a sua vida.
Não era a primeira vez.
Sabia-se perdida. Sabia-se só.
Sofrimento. Restou um imenso sofrimento.
Carpiu a perda, carpiu a dor, carpiu o desespero.
Uma parte de si estava desfeita em pedaços.
Restava-lhe apenas uma saída: resgatar cada um deles.
Restava-lhe encontrar cada pedaço de si.
Restava-lhe resgatar a vida, toda ela, completa.
Restava-lhe restaurar a sua própria existência,

para voltar a ser inteira.
Percorreu todos os caminhos.
Perguntou a todos quantos se cruzaram com ela.
Conheceu muitas terras, muito lugares.
Passaram-se anos.
Descobriu-se, descobrindo o mundo.
Viveu muitas peripécias e tornou-se mais forte, mais hábil.
Durante o percurso ajudou desconhecidos

e foi ajudada pelos seus fiéis amigos.
Transformou os obstáculos em oportunidades.
Nunca desistiu de encontrar-se.
Bocado a bocado foi juntando as partes de si própria.
Pedaço a pedaço resgatou o que tinha sido desfeito.
Cada fragmento, cada porção de si mesma…
E aprendeu, conheceu, experimentou o caminho da busca,
do reencontro e da reunião do todo.
Venceu.
Por amor à vida, fez-se mestre,

fez-se deus, fez-se dadora da vida.
Fê-lo por amor, com amor.

Tornou-se sábia.